A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou ontem, requerimento 57/2026, de autoria do deputado federal Beto Preto (PSD), que cria uma Subcomissão Especial destinada a acompanhar o encerramento da concessão ferroviária da Malha Sul. A vitória parlamentar chega em um momento crítico: o contrato firmado em 1997 com a Rumo Logística se encerra em fevereiro de 2027 e, até agora, o país ainda não tem um plano definitivo para o que vem depois.
A Malha Sul é uma das mais importantes estruturas logísticas do Brasil. São 7.223 quilômetros de ferrovia que cortam o Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo, conectando áreas produtivas aos principais portos de exportação. Para Beto Preto, a ausência de um planejamento claro para esse ativo estratégico é inadmissível.
“Estamos a menos de um ano do fim de uma concessão que envolve mais de sete mil quilômetros de ferrovia e bilhões de reais em infraestrutura pública, e o país ainda não sabe o que vai acontecer depois. Isso não é aceitável”, afirmou o deputado.
O cenário é agravado por um passivo de mais de R$ 2 bilhões em trechos que precisam de recuperação e por denúncias de que a concessionária estaria retirando trilhos do Rio Grande do Sul para uso em outros estados — situação que já motivou intervenção do Ministério Público Federal, que recomendou a paralisação imediata dessas remoções. O governo federal, por sua vez, anunciou um plano de fatiamento da malha em três corredores logísticos, com leilões previstos para o final de 2026. A proposta, no entanto, enfrenta resistência dos estados do Sul, que temem a falta de interessados em determinados trechos e problemas de integração entre diferentes operadoras.
A Subcomissão terá poderes para realizar audiências públicas, diligências técnicas e convocar representantes da ANTT, do Ministério dos Transportes, dos governos estaduais, das concessionárias e dos trabalhadores do setor ferroviário.
“A criação desta Subcomissão é o Parlamento cumprindo seu papel. Não podemos ficar assistindo de camarote enquanto uma decisão dessa magnitude é tomada sem o devido debate público, sem transparência e sem a participação dos estados e da sociedade”, declarou o parlamentar.
O deputado também destacou a dimensão econômica e ambiental do tema. O transporte ferroviário custa, em média, 30% menos que o rodoviário, e uma composição de cem vagões substitui 150 caminhões nas estradas, com emissão de 80% menos carbono.
“O Brasil não pode se dar ao luxo de tratar temas dessa magnitude apenas de forma reativa. Ferrovia não se reconstrói da noite para o dia. É preciso planejamento, acompanhamento e responsabilidade institucional — e é exatamente isso que esta Subcomissão vai garantir”, concluiu Beto Preto.
Deputado destaca na Câmara campus do IFPR
O deputado Beto Preto destacou, anteontem à noite, na Câmara dos Deputados, a importância da implantação de um campus avançado do Instituto Federal do Paraná (IFPR) em Apucarana. A proposta, articulada junto à Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Apucarana (ACIA), Conecta, lideranças locais, empresários e a reitoria do IFPR, busca ampliar o acesso ao ensino técnico e tecnológico na região do Vale do Ivaí.
Durante o pronunciamento, Beto Preto afirmou que o projeto representa um investimento estratégico.
“Trazer o IFPR para Apucarana é pensar no futuro da nossa juventude e na competitividade do município. Precisamos transformar articulações em oportunidades reais para a população”, afirmou o deputado.
A proposta inicial prevê a implantação de um Centro de Referência do IFPR, modelo que permitirá o início das atividades acadêmicas de forma estruturada e planejada, com perspectiva de expansão futura para um campus completo.
“Muitos jovens acabam deixando o sonho da qualificação profissional de lado por falta de oportunidade. Os Institutos Federais mudam realidades, aproximam o ensino do mercado de trabalho e fortalecem a economia regional”, destacou.
O deputado ainda ressaltou a mobilização da sociedade civil e do setor produtivo em defesa da proposta, envolvendo representantes da Acia, Sebrae, educadores e lideranças regionais.