O candidato do Partido Liberal (PL) ao Senado pelo Paraná, Filipe Barros, quer levar ao Senado uma atuação voltada à defesa do Paraná, à liberdade econômica e à reforma do Poder Judiciário, especialmente do Supremo Tribunal Federal (STF). Aos 35 anos, o deputado federal disse, em entrevista a Tribuna/TNOnline, que sua candidatura é motivada pela “indignação” com a atuação dos atuais representantes do Estado e com o que considera abusos cometidos por ministros da Suprema Corte.
Barros também defendeu a redução da carga tributária, a desburocratização da economia e uma maior aproximação entre universidades públicas e setores produtivos regionais. O candidato destacou ainda demandas do interior do Paraná, como a duplicação de rodovias, melhorias no acesso a Apucarana e investimentos na infraestrutura energética.
TRIBUNA DO NORTE/TN: O senhor tem uma trajetória marcada pela sua atuação como deputado federal. O que o motivou a buscar uma cadeira no Senado?
FILIPE BARROS: A indignação. A indignação de ver o nosso Estado crescendo do jeito que ele tem crescido ao longo desses últimos anos graças ao trabalho do povo paranaense e, infelizmente, não ver essa mesma determinação dos nossos representantes no Senado Federal, com exceção do senador Sérgio Moro, que tem sido atuante. A indignação em ver os senadores dormindo em berço esplêndido enquanto os ministros do Supremo Tribunal Federal cometem muitos abusos de poder, usurpam as suas funções e decidem legislar, muitas vezes, no lugar do Congresso Nacional. O Paraná e o nosso país precisam de muito mais. Mas, para isso, nós precisamos de senadores que tenham coragem, que não tenham preguiça de trabalhar, que tenham determinação. E essas sempre foram as minhas características ao longo dos meus últimos oito anos como deputado, nos dois mandatos em que estive representando o Paraná em Brasília.
TRIBUNA DO NORTE/TN: O senhor está no segundo mandato como deputado federal. Como essa experiência pode contribuir para sua atuação no Senado?
FILIPE BARROS: Quem me acompanha sabe: eu nunca fugi das discussões, nunca escondi aquilo que eu penso. Quando não estou em Brasília, estou no interior do Estado do Paraná, muitas vezes, inclusive, em Apucarana, rodando o Estado, conversando com a população, ouvindo as demandas, os sonhos e os anseios da população paranaense. É com essa mesma energia, determinação e coragem que eu sempre tive que quero continuar representando o Paraná e lutando pelo Brasil, só que dessa vez no Senado Federal.
TRIBUNA DO NORTE/TN: Como o senhor pretende fazer com que as demandas do interior do Estado sejam priorizadas em Brasília?
FILIPE BARROS: Eu sou do interior. Sou casado com a Mariana, minha primeira namorada. Tenho quatro filhos. A minha família mora em Londrina, pertinho de Apucarana. Eu moro em Londrina, vou e volto toda semana para Londrina. Fui vereador em Londrina, que é a nossa capital do interior do Estado do Paraná. O interior do nosso Estado é muito próspero. Nós temos, ao mesmo tempo, várias demandas, sonhos, anseios e problemas que precisam ser solucionados. Nós temos toda a questão que envolve a duplicação das nossas rodovias. Em Apucarana, especialmente, o acesso à cidade através da BR-376 precisa ser melhorado. Nós temos toda a questão que envolve o melhoramento da energia elétrica do Estado do Paraná, que tem causado problemas enormes para todo o Estado. Isso tudo é função de um senador resolver. Eu, especialmente, quero ser o senador mais jovem, representar todo o Estado, é verdade, mas as minhas raízes são daí do interior.
TRIBUNA DO NORTE/TN: Apucarana tem um dos maiores polos de vestuário do país. Como a pauta da liberdade econômica e da regulamentação pode proteger a indústria local diante da alta carga tributária e da concorrência de plataformas de importação?
FILIPE BARROS: Apucarana é a nossa referência no vestuário, nossa capital do boné, e toda essa indústria gera muito emprego e renda, não apenas para Apucarana, mas para toda a região do Vale do Ivaí e para a região metropolitana de Londrina. Nós precisamos, em primeiro lugar, se queremos gerar cada vez mais prosperidade, derrotar o Lula nessas eleições. Tudo aquilo que o presidente Bolsonaro construiu de liberdade econômica — e a liberdade econômica foi uma das primeiras leis aprovadas durante o mandato do presidente Bolsonaro —, desburocratizando e reduzindo a carga tributária, tudo isso foi desfeito pelo governo Lula. Pelo contrário, ele inflou a máquina pública, encheu de cargos comissionados e aumentou a nossa carga tributária, ou seja, os impostos que todos nós pagamos. Isso gera desemprego, insegurança jurídica e problemas econômicos para os empresários e industriais paranaenses e brasileiros, que, por sua vez, são eles que geram emprego. Nós temos hoje os juros altos, graças ao custo da máquina pública elevado que o Lula causou. Ele estourou, inclusive, as nossas empresas estatais, que todas tinham sido entregues com lucro pelo governo Bolsonaro. Então, nós temos que desburocratizar, reduzir a carga tributária e incentivar os nossos industriais e empresários de forma regional. Se a região de Apucarana é forte no vestuário, se é a nossa capital do boné, nós precisamos fazer a verdadeira interlocução da iniciativa privada com o poder público. O poder público, muitas vezes, só não atrapalhando já ajuda muito. Mas, se nós pudermos, por exemplo, colocar as universidades públicas junto com a iniciativa privada, isso também faz com que se gere mais renda e mais emprego. As universidades públicas têm que dialogar com as demandas regionais. Se há falta de mão de obra qualificada, as universidades públicas têm que prestar esse serviço, formando mão de obra qualificada para determinados segmentos considerados importantes regionalmente.
TRIBUNA DO NORTE/TN: O senhor fala em renovação na política. Por que acredita que uma candidatura mais jovem pode fazer diferença no Senado?
FILIPE BARROS: Não adianta nós elegermos os mesmos. Os velhos políticos, os políticos tradicionais, muitos deles que estão como meus adversários no Senado, eles estão lá 20, 30 anos e não resolveram esses problemas. Eu, com 35 anos, tenho a coragem para resolver todos esses problemas. Tenho a energia para fazer com que o Paraná seja o melhor Estado do Brasil em todos os quesitos. Na geração de emprego, na segurança pública, na saúde e na educação.
TRIBUNA DO NORTE/TN: O senhor tem uma postura bastante crítica ao STF. Como será essa relação caso seja eleito?
FILIPE BARROS: Eu costumo dizer que, numa democracia, ninguém pode estar acima da lei. Eu não posso estar. Você não pode estar. Quem está nos acompanhando não pode estar acima da lei. Não existe ninguém que possa estar acima da lei. Hoje, infelizmente, no Brasil, os ministros do Supremo estão acima da lei. Eles se acham acima das leis e da Constituição. Eu brinco que eles não acham que são deuses. Eles têm certeza que são deuses. Não é possível a gente continuar vendo tudo isso. Não é papel do Supremo legalizar droga, como fizeram recentemente legalizando a maconha. Não é papel do Supremo tentar legalizar o aborto, como frequentemente eles tentam fazer. Não é papel do Supremo mudar o seu entendimento de acordo com a capa do processo. Não é possível a gente continuar vendo o Supremo interferindo em políticas públicas que são de competência do Poder Executivo e do Poder Legislativo. Agora, o Supremo Tribunal Federal, infelizmente, se transformou num juizado de pequenas causas. Julgam tudo, julgam todos, mudam o entendimento com frequência, usurpam o Poder Legislativo, pegam as atribuições do Poder Legislativo e avocam para eles. Isso está errado. Isso não é uma democracia. Então, nós precisamos fazer o impeachment daqueles ministros que abusam dos seus poderes. Nós tivemos, nesses últimos dias, revelações da Polícia Federal que envolvem o ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro. Isso precisa ser apurado e o ministro Alexandre de Moraes tem que responder, na forma da lei, obviamente, mas tem que responder porque ninguém pode estar acima da lei. E, mais do que isso, eu defendo uma reforma do Poder Judiciário, em especial da nossa Suprema Corte. Eu defendo o mandato para os ministros do Supremo. Eu acho que os ministros do Supremo podem continuar sendo indicados pelo presidente da República, mas têm que ser juízes de carreira. Não pode ser o advogado do partido do presidente da República, como aconteceu já no passado. Tem que ser juiz de carreira da magistratura. Isso tudo é papel de um senador decidir. E não é uma tarefa fácil. Tanto é que os senadores atuais, muitos deles, não fizeram isso. Nós não tivemos maioria para que esse debate fosse colocado no Senado Federal. Eu tenho coragem para enfrentar esse debate com a sociedade, envolvendo todos os demais senadores e os demais parlamentares. Mas esse é um debate fundamental que nós precisamos fazer no Senado Federal a partir do ano que vem.