POLÍTICA

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Prefeituras pleiteiam recursos para cobrir prejuízos causados pelo El Niño

Cindy Santos

| Edição de 06 de outubro de 2026 | Atualizado em 06 de outubro de 2026

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Desde agosto, mais de 6,9 milhões de brasileiros foram impactados pelos eventos climáticos, conforme segunda edição do Boletim El Niño 2026/2027 elaborado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) e divulgado ontem. Os prejuízos econômicos – que no país passam de R$ 12,6 bilhões - são um desafio para prefeitos. Na região, pelo menos dez municípios registram prejuízos com um contingente populacional afetado de mais de 23 mil pessoas.

Na região, Apucarana é o município com maior registro de estragos. O temporal do último dia 21 atingiu 21 mil pessoas. Segundo o prefeito Rodolfo Mota, a Prefeitura segue na busca por verbas estaduais para quitar gastos com telhas e lonas que foram compradas para ajudar a população. “Estamos aguardando esse recurso para poder pagar esse fornecedor, pagar as lonas, hora extra e diesel. Estamos pleiteando um recurso do Governo do Estado, e vamos ter que pleitear outros. Por exemplo, para arrumar os veículos da prefeitura. Nós devemos ter em torno de 40 a 50 veículos que foram apedrejados com o granizo”, informa.

O prefeito explica que o prazo é de seis meses para tratar dessa calamidade. “Vamos apresentando os orçamentos e pleiteando esses recursos com a Defesa Civil Estadual, e eventualmente vamos poder pleitear alguma coisa com a Defesa Civil Nacional também. O fato é que o desafio fica com a prefeitura, com o prefeito e com a sua equipe. Vamos aguardar também o despacho da Defesa Civil Nacional reconhecendo tudo o que aconteceu aqui, para podermos contar com o apoio e a ajuda deles”.

A administração municipal jpa enviou a documentação necessária ao Governo Federal e aguarda o reconhecimento oficial do estado de emergência. Se o decreto for homologado em Brasília, os apucaranenses que possuem saldo no FGTS estarão autorizados a realizar saques emergenciais para reconstruírem seus lares.

Sem viabilidade jurídica para realizar repasses financeiros diretos aos proprietários de imóveis afetados, a prefeitura tem focado o atendimento no suporte humanitário através da distribuição de telhas, lonas, colchões e cestas básicas.

O prefeito fez questão de separar as ações de socorro imediato de um empréstimo de R$ 30 milhões recentemente aprovado junto à Caixa Econômica Federal. Ele explicou que o financiamento não pode ser utilizado no atendimento direto aos afetados pelas chuvas.

O montante captado junto à Caixa destina-se à renovação do pátio de máquinas e à execução de um amplo plano de recuperação asfáltica em bairros degradados. Devido à legislação eleitoral, essa verba só poderá ser liberada e movimentada após o segundo turno das eleições, com previsão de chegada aos cofres municipais entre novembro e dezembro.

Os prejuízos do El Niño são discutidos no Encontro Nacional das Defesas Civis Municipais, aberto ontem em Brasília. Segundo levantamento da CNM, entre 1º de julho e 30 de setembro, 1.035 Municípios emitiram decretos de situação de emergência e/ou estado de calamidade pública.

Marilândia do Sul defende mais recursos federais

O temporal que atingiu Marilândia do Sul afetou 341 pessoas e deixou R$ 70 mil em prejuízos, avalia a Prefeitura. O município defende mais investimentos federais para a prevenção, como melhorias na drenagem e pontes rurais, essenciais para mitigar danos.

“O Brasil está enfrentando mais desastres climáticos, os municípios estão tendo grandes prejuízos, mas o dinheiro federal destinado para prevenção e resposta ainda é muito menor do que o necessário” afirma a gestora de projetos e convênios, Kelly Zanlorenzi. “Os recursos federais são muito abaixo da realidade que enfrentamos e a tendência é piorar. Sem uma resposta rápida da Defesa Civil, o município fica desamparado”, afirma.

EM FAXINAL, PREFEITURA VEM ARCANDO COM DANOS

Em Faxinal, a prefeitura elaborou um plano de contingência para para minimizar os impactos climáticos. “Nós temos um plano de contingência que não é fechado, pode ser adequado a qualquer tempo, tirando como lição o que ocorreu nos outros municípios”, ressalta o assessor jurídico da prefeitura, Francisco Alfredo Ferreira (Ral). Segundo Ferreira, o município vem arcando com os danos de pequenas ocorrências utilizando recursos próprios, sem subsídios externos. “Pretendemos nos preparar para uma situação mais gravosa do que viermos a enfrentar”, conclui