POLÍTICA

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Requião ataca privatizações e vê direita enfraquecida no Paraná

Cindy Santos

| Edição de 15 de maio de 2026 | Atualizado em 15 de maio de 2026

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Pré-candidato a uma vaga na Câmara Federal, o ex-governador Roberto Requião (PDT) foi entrevistado nesta sexta-feira pela Tribuna/TNOnline. Em Apucarana para participar de um encontro de lideranças organizado pelo PT (leia matéria na A3), Requião criticou as privatizações de estatais e nas políticas fiscais da administração Ratinho Junior e destacou que a direita sai enfraquecida após o episódio do Banco Master e pode mexer com os rumos da eleição. 

Para o pedetista o recente escândalo ligando o senador Flávio Bolsonaro (PL) ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, deve impactar negativamente e de forma definitiva as candidaturas da direita no Paraná, atingindo diretamente aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Sérgio Moro (PL). 

Para ele, a gravação envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Vorcaro altera todo o cenário político nacional. “Eu acho que liquidou a candidatura do Bolsonaro. E liquidou com o Sérgio Moro também. Porque são parceiros, é a mesma coisa”, afirmou. O ex-governador acusou Moro de ser conivente com a privatização de estatais.

Para o ex-governador, o modelo de liberalismo econômico aplicado na atual gestão estadual repete erros já vistos internacionalmente em países europeus. “Venderam a Copel, a Sanepar já está praticamente dois terços vendida, pedágio com preços absurdos, sem necessidade nenhuma do Estado fazer isso”, disparou o ex-governador.

A política tributária paranaense também foi alvo de questionamentos. Requião apontou uma grave disparidade no tratamento dado ao setor produtivo, alegando que o Estado concede bilhões em descontos para grandes corporações, mas penaliza os pequenos empresários, que são os maiores geradores de empregos. Ele defendeu a isenção de impostos para micro e pequenas empresas.

Ao justificar sua permanência na política e a busca por uma cadeira na Câmara dos Deputados, o ex-governador resgatou marcos de seus mandatos no Executivo estadual, como a tarifa social de energia e os investimentos na formação contínua e valorização dos professores. Ao lamentar a descontinuidade de suas políticas para a educação, ele destacou que a remuneração digna é essencial para o ensino. “Porque um professor ganhando mal, não conseguindo manter sua casa, sua família, não vai nunca transformar um aluno. Ele vai ser um cara irritado na sala de aula. Eu acabei com isso. Mas eu saí do governo e isso tudo alterou”, declarou, reforçando que essas pautas endossam agora a pré-candidatura de seu filho, Requião Filho, ao governo do Paraná.

Em contrapartida, ele criticou a atual gestão da segurança pública, afirmando que o estado possui o menor contingente policial das últimas três décadas e prioriza a compra de viaturas luxuosas “para pôr na televisão”, em vez de investir no efetivo. “Governo tem que ser para o povo, para as pessoas. E não é. É um negócio entre pessoas muito ricas”, concluiu Requião.