POLÍTICA

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Requião Filho defende Copel na mão do governo do Estado

Cindy Santos

| Edição de 21 de agosto de 2026 | Atualizado em 21 de agosto de 2026
Candidato Requião Filho, do PDT

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O candidato ao governo do Paraná, deputado estadual Requião Filho (PDT), foi o terceiro entrevistado da sabatina promovida pela Tribuna do Norte e portal TNOnline. Durante a conversa, que abordou temas como infraestrutura, saúde, educação e segurança pública, o candidato delineou um plano de governo com fortes críticas às recentes privatizações do Estado. Ele prometeu buscar vias legais para retomar o controle da Copel, rechaçou a venda Celepar e garantiu que, se eleito, extinguirá programas como o “Parceiro da Escola” e o modelo cívico-militar. O candidato também defende ICMS zero para micro e pequenos produtores, retomada do policiamento comunitário.

TRIBUNA DO NORTE/TN: Uma das suas principais bandeiras de campanha envolve a possibilidade de retomar o controle estatal da Copel. Como pretende viabilizar isso?

REQUIÃO FILHO: Eu espero que, uma vez auditado todo esse processo de privatização da Copel, a gente mostre que houve enganos, que houve erros em cima desse processo, e acredito que a gente pode reverter. Outra forma é a gente mudar a lei que proíbe o Estado de recomprar ações da Copel, fazendo esse investimento na nossa autonomia, no nosso futuro. E a terceira via, a mais complicada e difícil, é a via judicial. Eu acho que nós vamos acabar lutando pela primeira e pela segunda via. Há indícios de envolvimento do BTG, de subavaliação de ativos. A Copel foi vendida por muito menos do que ela deveria valer. Envolve Tanure, Vorcaro, Banco Master. O Paraná precisa saber a verdade. Nós vamos mandar auditar e investigar.

TRIBUNA DO NORTE/TN: Como o senhor vai tratar a questão da Celepar, caso seja eleito?

REQUIÃO FILHO: A Celepar não será privatizada em nenhum governo nosso. A ideia de privatizar a Celepar e vender os dados dos paranaenses é uma ideia absurda. Nenhum governador sério levaria isso adiante. É um erro, é perigoso e gera uma instabilidade. A própria Celepar foi avaliada pela Faria Lima, pela B3, como uma empresa excelente, uma empresa modelo. Vender esta empresa é um desserviço ao Paraná. A Celepar na mão do Estado pode ser, inclusive, uma economia para desenvolver e criar soluções tecnológicas, num momento em que o investimento em inteligência artificial e aplicativos é providencial para o Estado.

TRIBUNA DO NORTE/TNONLINE: O senhor é bastante crítico ao atual modelo de educação. No seu plano de governo, propõe o fim do “Parceiro da Escola” e uma revisão no modelo cívico-militar. Acredita que terá apoio popular para essas mudanças?

REQUIÃO FILHO: Tenho certeza que terei. A maioria das escolas cívico-militares, na hora de escolher, ou perderam a votação ou não tiveram quórum, e foram alteradas do mesmo jeito. O “Parceiro da Escola” é pior ainda. Duvido que qualquer pai ou paranaense que preze pela transparência e pelo combate à corrupção apoie um projeto no qual um aluno custa muito mais do que numa escola comum e a qualidade não é melhor. O cívico-militar não ensina cívica. Se esse fosse o problema, a gente coloca a OSPB (Organização Social e Política Brasileira) de volta no currículo. São modelos de propaganda ideológica, não são modelos pedagógicos, não são modelos diferentes de educação nem trazem resultados melhores aos alunos.

TRIBUNA DO NORTE/TN: O eleitorado paranaense tem um perfil majoritariamente voltado à direita. Como pretende convencer esses eleitores a aderirem à sua proposta de governo?

REQUIÃO FILHO: Eu desconheço pesquisa que traga essa informação como verdadeira. O eleitorado paranaense é um eleitorado como qualquer outro, é um pedaço desse nosso Brasilzão. Eu não acredito que o eleitorado paranaense esteja a favor da direita, há um equívoco muito grande nessa percepção. O Paraná elegeu o meu pai, Roberto Requião, três vezes governador, e o Requião nunca se apresentou como direita em momento algum. Então, isso é uma afirmação que busca trazer um conflito para dentro da política paranaense que não existe. Existe uma polarização no Brasil que vem sendo diminuída dia a dia entre o bolsonarismo e o lulismo. Mas o povo do Paraná vota de acordo com propostas, programas, e nesta eleição nós temos os melhores programas e as melhores propostas. Basta a população comparar o nosso plano com as propostas inexistentes de um dos candidatos e essa conversa mole de “vamos continuar” sem conseguir explicar o que querem continuar. Querem continuar aumentando a conta de luz? A conta de água? Querem continuar diminuindo o nosso Estado e trazendo prejuízo ao nosso povo? Nós vamos ganhar essa eleição na proposta, trazendo soluções para o Paraná.

TRIBUNA DO NORTE/TNONLINE: O Vale do Ivaí tem projetos estratégicos em andamento, como a modernização de rodovias e a implantação de um curso de medicina em Apucarana. Como o senhor vai tratar as ações que já estão em andamento?

REQUIÃO FILHO: Obras que forem boas irão continuar. Projetos feitos dentro da lei irão continuar. Não estamos entrando para destruir o Estado, estamos entrando para reconstruir. Nós somos o grupo político que trouxe o Leite das Crianças, o Trator Solidário, o Luz para Todos, que isentou o ICMS de pequenas e microempresas. Nós entramos para retomar programas que já deram certo. Retomar a Copel na mão do Estado para que o agricultor tenha energia contínua e num preço justo, não esse caos de áreas rurais com seis dias sem luz. Tudo o que for bom, nós vamos continuar, mesmo que o que tenha de bom hoje seja pouco.

TRIBUNA DO NORTE/TN: E como será a fiscalização dos pedágios caso o senhor seja eleito?

REQUIÃO FILHO: A fiscalização será a mais dura. Mas quem toca o pedágio hoje é o governo federal, a Agência Nacional de Transportes Terrestres. O pedágio está na mão do governo federal para ser fiscalizado. Nós podemos apenas fiscalizar se as obras estão sendo cumpridas. Caso não estejam, podemos denunciar ao Ministério Público Federal. Qualquer candidato a governador que venha dizer que vai “dar um jeito” na fila do pedágio, nesse momento, estará faltando com a verdade. O que podemos fazer é exigir transparência para não termos o que tivemos da última vez: tarifas superfaturadas e obras que não aconteceram.

TRIBUNA DO NORTE/TN: Apucarana tem uma indústria de confecção muito forte, e Arapongas, a indústria moveleira. Quais são as suas propostas para que esse setor continue avançando?

REQUIÃO FILHO: Para os micro e pequenos, a solução é ICMS zero. Para as grandes indústrias, a ideia é energia barata, por isso a importância da retomada da Copel. A ideia é reduzir o custo da água, por isso a importância também de retomar o controle da Sanepar. Temos que criar alternativas viáveis de logística, retomando nossas ferrovias. E vamos retomar o ensino técnico de acordo com cada região, gerando mão de obra especializada para o mercado local.

TRIBUNA/TN: Seu plano de governo cita a desigualdade regional e a falta de projetos e recursos nos municípios menores. Como o senhor pretende atuar nesse sentido caso seja eleito?

REQUIÃO FILHO: Isso a gente faz tratando o Paraná com respeito. Hoje o que nós temos é um governo que atende apenas onde eles acreditam haver votos. As obras acontecem para serem publicizadas no Instagram, nas propagandas de televisão e de acordo com o número de pessoas que irão passar por ali, podendo ou não gerar votos. Nós vamos investir onde as obras façam a diferença, onde uma obra melhore a vida da população, não necessariamente a votação de um determinado deputado. A ideia é ter um Paraná justo que pensa nas pessoas, que pensa no desenvolvimento local. Nós queremos garantir que o filho do interior possa crescer e permanecer no interior, com educação de qualidade, com formação de qualidade, com cursos superiores de qualidade e com o mercado de trabalho perto da sua família.

TRIBUNA DO NORTE/TN: Na segurança pública, o senhor cita o compromisso de retomar o Projeto Povo, patrulhas rurais e bombeiros comunitários. Como seria isso na prática?

REQUIÃO FILHO: Queremos bombeiros comunitários em 399 municípios do Paraná para atender com agilidade e eficiência. A retomada do Projeto Povo é a retomada da polícia comunitária, que conhece a região e as pessoas. Para isso, precisamos de novos concursos, um salário melhor e um plano de carreira mais moderno que beneficie os praças, esquecidos por esse atual governo. Não podemos ter policiais trabalhando 60 horas por semana. Vamos investir no fator humano, contratar mais, pagando bem e dando condições de trabalho e plano de carreira de verdade.

TRIBUNA DO NORTE/TN: E quais são as suas propostas para melhorar a saúde no Paraná?

REQUIÃO FILHO: Vamos retomar a regionalização da saúde e acabar com a terceirização, que custa muito mais caro para o Estado e paga menos aos funcionários, que estão explorados e cansados. Queremos investir em concursos, retomar os hospitais regionais públicos e fazer parcerias com as Santas Casas e hospitais filantrópicos para zerar a fila de exames e cirurgias. A fila de espera hoje é absurdamente longa e não há transparência nem na distribuição de leitos. E nós vamos trazer a transparência para a saúde, reconhecendo o pessoal da saúde que trabalha, que se dedica e que doa a sua vida para isso, melhorando os salários, melhorando a formação, melhorando as condições de trabalho.

TRIBUNA DO NORTE/TN: Candidato, o espaço está aberto para as suas considerações finais aos eleitores paranaenses.

REQUIÃO FILHO: O Paraná pode e deve ser aquele da propaganda, mas nós queremos que você viva esse Paraná. Queremos menos impostos, mais emprego, e a retomada da Copel. Essa luz cara só prejudica o nosso agro, a nossa indústria, a nossa empresa e a família paranaense. Queremos um governo que cuide de pessoas, que invista de verdade na saúde e infraestrutura. Um governo que inaugura obras do pedágio e depois reclama da tarifa é um governo que não te respeita. Foram eles que colocaram o pedágio de volta. Nós não vamos trabalhar com mentiras. Vamos construir um Paraná focado no que realmente importa: a nossa população.