O candidato ao governo do Paraná, Sandro Alex (PSD), foi o segundo entrevistado da sabatina promovida pela Tribuna do Norte e pelo site TNOnline. Representando a chapa de continuidade da atual gestão, o deputado federal e ex-secretário de Infraestrutura almeja transformar o Estado na terceira maior economia do país, unificar os serviços de emergência policial e médica e focar em políticas de cuidado transversal da população. Ao longo da entrevista, o candidato minimizou a distância nas pesquisas eleitorais, rebateu críticas da oposição sobre a energia elétrica e demarcou diferenças de postura em relação aos seus principais adversários na corrida pelo Palácio Iguaçu.
TRIBUNA/TN: Em seu plano de governo, o senhor apresenta como meta preparar o Paraná para se tornar a terceira maior economia do Brasil. Como o senhor pretende chegar a isso?
SANDRO ALEX: Nós vamos alcançar essa meta com a gestão que começou com o governador Ratinho Júnior. Saímos de cerca de R$ 380 bilhões de PIB e vamos chegar até o final deste ano a R$ 830 bilhões, assumindo a quarta colocação nacional. Se mantivermos esse ritmo e não perdermos a velocidade na atração de investimentos, indústrias e empregos, vamos ultrapassar a marca de R$ 1 trilhão, superando Minas Gerais e consolidando o eixo Rio-São Paulo-Paraná. O objetivo é não perder a velocidade nem desconsiderar o modelo deixado por Ratinho. Por isso, o nosso plano de governo está hoje baseado em cinco pontes de desenvolvimento, ancorado em 25 pilares, que vão trazer o desenvolvimento e dar continuidade ao trabalho do Ratinho Júnior.
TRIBUNA/TN: O seu plano cita a criação de uma Agência Paranaense de Cuidado. Como funcionaria esse projeto na prática?
SANDRO ALEX: O objetivo é cuidar da nossa população desde a concepção até a despedida. A Agência vai compartilhar de forma transversal o que já é feito hoje em diversas secretarias. Queremos garantir, por exemplo, ultrassom morfológico para todas as mães paranaenses na gestação. No nascimento, já fazemos o teste do pezinho para 53 doenças por meio do Tecpar, enquanto o restante do Brasil faz diagnóstico de apenas sete. Na maioridade, continuaremos investindo na ‘bolsa cuidador’ para as famílias e nos condomínios do idoso, unificando todo esse atendimento na nova agência.
TRIBUNA/TN: Na educação, o plano traz um projeto para acompanhamento individual para evitar a evasão escolar. Como isso será executado?
SANDRO ALEX: O Paraná tem a melhor educação do Brasil. Somos reconhecidos pelo MEC e pelos números do Ideb, agora, como a melhor educação da nação. É um trabalho que não foi fruto do acaso nem da sorte; foi fruto da dedicação de educadores, professores e dos nossos alunos. Nós conseguimos manter a maior frequência do Brasil. Nossa frequência é de 90%. A do Brasil é de 70%. Com isso, estamos alfabetizando na idade certa. Temos uniforme e material escolar de qualidade, e estamos avançando. Escolas em tempo integral e escolas cívico-militares, que nós vamos ampliar para 500. É um pedido dos pais e um reconhecimento dos professores. Nós temos as escolas do futuro. O investimento é de R$ 6 bilhões para 40 novas escolas. E temos também as escolas bilíngues. E a inteligência artificial tem colaborado nesse processo, inclusive na correção de provas, para otimizar o tempo dos nossos professores, sem desconsiderarmos todo o trabalho pedagógico, mas auxiliando como ferramenta. E essa ferramenta também vai colaborar no processo com os alunos para que eles possam ter um desempenho melhor. Isso já está em teste e nós vamos introduzir, a partir do ano que vem, com mais investimento.
TRIBUNA/TN: Em encontro recente com os Consegs, o senhor defendeu o fim das cadeias nas áreas centrais e a construção de oito presídios. Quais regiões receberão essas unidades?
SANDRO ALEX: Nós construímos dez e temos quatorze unidades. E nós vamos construir mais oito unidades. E, claro, nós temos que distribuí-las pelo Estado. O que é importante nisso? Quando o governador Ratinho assumiu, nós tínhamos presos em delegacias. Hoje nós não temos mais. Mas nós precisamos, claro, continuar ampliando, avançando. E o meu objetivo também é fazer os presos trabalharem. Hoje, há 16 mil presos trabalhando no Paraná. Eu vou investir para que mais e mais presos continuem trabalhando. A segurança pública teve o maior investimento da sua história. Nós saímos de R$ 2 bilhões para R$ 8 bilhões. Agora, essas antigas delegacias que ficavam nas regiões centrais a gente não pode mantê-las. Então, a gente vai investir em novos presídios. E, claro, a inteligência da polícia, em conjunto com os municípios, é que vai fazer a escolha desses locais. Nós temos uma grande resolutividade na elucidação dos crimes. Ferramentas de inteligência também são importantes, mas é importante ter a resposta rápida.
TRIBUNA/TN: Qual o seu posicionamento sobre a venda da Celepar, que vem sendo alvo de um processo de judicialização?
SANDRO ALEX: Neste momento, o que é essencial para o Estado são os dados sensíveis da população, e isso está garantido. Nós temos uma lei geral de proteção de dados, e isso vai continuar sendo seguro pelo Paraná. Acredito que é preciso ter um servidor que seja soberano, um data center do Estado, que esteja no território. Essa discussão é global entre os países, porque, muitas vezes, a legislação de um país pode requisitar seus dados. Então, ter a segurança dos dados assegurada pelo Estado é, para mim, suficiente para que a gente possa ter a modernização da Celepar. Então, a soberania desses dados eu vou manter, mas o trabalho de programação, de programas, não é um serviço essencial, e é muito difícil para o Estado competir com o setor privado. Hoje, os tribunais compram as ferramentas do setor privado, e não do público. Vai chegar um momento em que o Estado não vai conseguir acompanhar o setor privado. Então, nós temos que, hoje, enquanto ela tem valor, colocá-la para a modernização e isso já aconteceu na telefonia celular. Antigamente, a telefonia era estatal. Você tinha que comprar o número. O sistema foi modernizado. Hoje, você tem telefone, você está tendo a modernização e a operação normal. Essa discussão é a mesma.
TRIBUNA/TN: Atualmente, os preços e os serviços da Copel estão entre as maiores críticas da oposição e também da população. O senhor tem algum plano para esse setor?
SANDRO ALEX: Nós vamos cobrar a excelência do serviço. Primeiro, quero resgatar aqui a verdade. Os concorrentes mentiram à população, dizendo que o governo do Paraná aumentou a tarifa. Isso não é verdade. Quem aumenta a tarifa é o sistema nacional, é o governo federal. E os senadores deveriam ter trabalhado para coibir isso. E nós pedimos que houvesse o maior desconto e tivemos o maior desconto. Tanto que o Paraná está entre os três estados com a menor tarifa. Agora, o importante é a gente ter qualidade no serviço. E, para isso, a gente precisava de investimento. E agora a modernização vai garantir isso. As nossas usinas agora vão receber um investimento de R$ 5 bilhões. E elas vão dobrar a capacidade para atender a 7 milhões de habitantes. E o investimento total é de R$ 23 bilhões. A gente precisa disso porque, no passado, os meus opositores construíam uma subestação a cada 4 anos. Nós construímos 19, e serão mais 50 subestações. Com esse investimento, a gente vai dar eficiência. A gente já entregou 25 mil quilômetros de rede trifásica. Estou com a proposta de o Estado ajudar o homem do campo, a se ligar no trifásico. E quem vai cobrar a eficiência do sistema somos nós, junto com a população, que continua sendo um dos maiores acionistas da Copel. Esse assunto tem que ter responsabilidade. A gente não pode tratar como estão tratando, querendo colocar aqui uma insegurança jurídica que vai trazer apagão.
TRIBUNA/TN: Pesquisa recente da Real Time Big Data, mostra o senhor com 22% das intenções de voto, atrás do primeiro colocado, candidato Sérgio Moro (PL). O que o senhor pretende fazer para mudar esse cenário e subir nas pesquisas?
SANDRO ALEX: Apresentar-me à população. A campanha acabou de começar; saímos de 3%, dobramos para 12% e agora chegamos a 22%. Nós vamos ganhar a eleição à medida que a população do Paraná reconhecer que o trabalho feito pelo Ratinho foi o melhor nos últimos anos no Estado e que o candidato dele chama-se Sandro Alex, com o vice-candidato Rafael Greca. Nós passamos a crescer ainda mais e vamos subir mais. É a defesa de um Paraná que deu certo e eu não vou permitir que a velocidade do Paraná diminua. Eu não sou candidato a governador para vir dizer aqui que eu quero destruir partido. Eu sou candidato para servir à população e transformar o Paraná. O objetivo é fazer o que o Ratinho fez, é organizar o Estado, e hoje nós temos a melhor saúde financeira, e preparar o Paraná para a reforma tributária que começa em 2027. Nós temos muito trabalho para fazer, mas o time que tem capacidade de fazer isso é o time que eu represento. E, desde que nós começamos, a gente só cresce. Porque a população entende que a gente vai dar continuidade e vai mostrar ao Brasil e que a transformação verdadeira se dá pela continuidade em médio e longo prazos. Nós estamos hoje com obras importantes aí na PR-445, na duplicação para Londrina. Há um contorno de Arapongas saindo, assim como mais dois contornos em Londrina e em todos os municípiosQuero pedir o apoio da população para que a gente continue esse trabalho a partir do ano que vem.