O ministro Kássio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), propôs a criação de um “selo de acurácia” para institutos de pesquisa, que seria destinado às empresas com maior taxa de acerto dos resultados no pleito. A proposta foi apresentada na manhã de ontem, em reunião com diretores de 19 institutos e gerou críticas.
Segundo a minuta de portaria, o selo seria entregue após o segundo turno das eleições em data a ser definida. A avaliação vai considerar somente pesquisas realizadas nos sete dias que antecedem o pleito e no dia das eleições (boca de urna) que forem efetivamente divulgadas. O texto também afirma que estarão excluídos da premiação empresas que tiverem sido condenadas por irregularidades graves.
Os institutos levaram preocupações sobre o recorte temporal para a avaliação. “A pesquisa é uma foto do momento eleitoral. É difícil falarmos em acerto de uma pesquisa, por exemplo, se não considerarmos a relevância do tempo. Hoje, um candidato está atrás e não necessariamente ele vai terminar na frente ou vai terminar atrás”, afirmou o diretor-executivo da Real Time Big Data, Lucas Thut Sahd, que participou da reunião.
A reunião foi convocada por Nunes Marques após ele suspender, em junho, uma pesquisa da Atlas Intel por suspeita de induzimento do eleitor. O julgamento foi paralisado por pedido de vista da ministra Estela Aranha. Na ocasião, os ministros afirmaram que a análise não vai se restringir ao caso da Atlas e vai definir um precedente que deverá ser seguido por todos os tribunais regionais eleitorais (TREs).
O presidente da Corte, Kássio Nunes Marques, também abriu um prazo, que segue até sexta-feira, para que os institutos de pesquisa enviem contribuições para a definição dos ganhadores do selo.
“Também serão muito bem-vindas propostas quanto à própria denominação, atualmente concebida como selo acurácia eleitoral, para que possamos construir uma iniciativa que reflita os objetivos de excelência técnica, transparência e credibilidade que orientam esta proposta”, disse Nunes Marques.
A principal reação veio da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP). Em nota divulgada após a reunião, a entidade afirmou que a proposta parte de uma compreensão equivocada sobre a natureza científica das pesquisas eleitorais.
“O objetivo de uma pesquisa não é acertar o resultado futuro”, argumenta a entidade. Em um dos trechos da nota, a ABEP afirma que “exigir que uma pesquisa ‘acerte’ o resultado é confundir ciência com bola de cristal“.