OPINIÃO

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A cultura do estupro ainda impera no País

Tribuna do Norte

| Edição de 29 de maio de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Um estupro coletivo de uma jovem de 16 anos no Rio de Janeiro chocou o país nesta semana. As cenas da barbárie foram divulgadas nas redes sociais pelos próprios suspeitos. Um dos estupradores - eram mais de 30 - posa para a câmera em frente da garota, que aparece machucada e assustada.

Esse caso demonstra que a cultura do estupro ainda prospera no Brasil. Segundo o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com dados de 2014, uma mulher é estuprada a cada 11 minutos. Naquele ano, mais de 47 mil pessoas foram vítimas desse crime no Brasil. É um número assustador, mas que está longe de revelar o quadro real. Humilhadas e ameaçadas, muitas mulheres não denunciam os agressores.

O caso do Rio de Janeiro ocorre exatamente um ano depois do estupro coletivo ocorrido na cidade de Castelo do Piauí (PI). Quatro meninas foram abusadas e jogadas de um penhasco de mais de dez metros. Uma delas morreu.

Aquele episódio também causou comoção nacional, mas quase nada mudou no comportamento de muitos homens e no registro de casos pelo país. Essa questão precisa ser também tratada no Brasil com urgência. As mulheres continuam sendo vistas como objetos sexuais, como propriedade de homens, como se não tivessem vontade própria e direitos.

Apesar de toda essa barbárie, muitos homens ainda insistem na tola, estapafúrdia e ignorante argumentação de que a vítima tem culpa. Se foi estuprada, é porque usou um vestido curto, porque usou uma blusa decotada, porque bebeu demais ou porque estava no ambiente errado. Não há justificativa para o estupro. Quem pratica esse delito é um bandido, um criminoso, um estuprador.

O caso do Rio de Janeiro precisa de punição exemplar, não há dúvidas. A impunidade, inclusive, está expressa na atitude dos autores da violência. Eles aparecem na gravação sem constrangimento, mostrando orgulho em participar da barbárie, demonstrando como a cultura do estupro está enraizada no Brasil, ou seja, praticar esse ato é considerado algo “natural” para muitos homens. O próprio compartilhamento maciço do vídeo merece uma reflexão. Afinal, não deixa de ser um crime também compartilhar essa violência.

O Brasil precisa enfrentar esse tipo de situação. Combater a violência contra a mulher deve ser uma política nacional e integrar a pauta da sociedade de forma permanente. Não pode ser um objetivo apenas do movimento feminista.

É fundamental lutar contra essa cultura, abordando o assunto em casa por mães, avós e pais. Além disso, o tema da violência contra a mulher também deve estar presente nas escolas. A formação dos meninos precisa ser modificada. Infelizmente, esse tipo de intervenção é vista com maus olhos no próprio Congresso, onde muitos parlamentares não se constrangemem adotar discursos machistas, homofóbicos e preconceituosos. É uma missão difícil, mas que não pode ser deixada de lado.