É impressionante a capacidade de resistência do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente afastado da Câmara Federal. Alvo de um processo de cassação do seu mandato no Conselho de Ética da Casa, o parlamentar segue manobrando para conseguir permanecer no cargo. É um triste espetáculo da política brasileira, que não cabe mais no atual momento do país. A população não suporta mais trapaças e manipulações de agentes públicos claramente envolvidos em negociatas e suspeitas de corrupção.
O processo contra Eduardo Cunha é o mais longo da história da Câmara Federal. O político controla um grande número de políticos na Casa e consegue, por meio de artifícios nebulosos, postergar a votação do pedido de cassação. Cunha é acusado de ter mentido aos seus pares na CPI da Petrobras ao negar a posse de contas no exterior, mais precisamente na Suíça. O deputado carioca é alvo de várias delações e já é réu no Supremo Tribunal Federal (STF). Por esse motivo, foi afastado da presidência da Câmara e teve seu mandato suspenso, mas, mesmo assim, continua dando as cartas em Brasília. É constrangedor para todo o país, menos, ao que parece, para uma grande parcela da Câmara dos Deputados.
Nesta semana, a mais recente manobra. O presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), solicitou uma mudança nas regras do processo de quebra de decoro para buscar preservar Cunha. Maranhão é afiliado político do parlamentar carioca. É o mesmo que tentou anular a votação do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), numa patética manobra que não foi levada adiante e mostrou o seu perfil nada ético - para não dizer outra coisa.
Anteontem, o deputado federal Marcos Rogério (DEM-RO), relator do processo contra Cunha, pediu a cassação do parlamentar. Ele apontou uma série de “práticas ilícitas” para justificar o seu parecer. Até a votação, no entanto, ainda há um longo processo pela frente.
A situação de Cunha é insustentável. A aversão ao político é praticamente unânime entre a população. É uma figura política que os brasileiros não suportam mais enxergar diariamente nos noticiários, comandando votações e emanando poder. Um parlamentar que manipula e usa métodos escusos, sem contar as graves suspeitas de recebimento de propinas.
Essas blindagens a Cunha constrangem a todos. A Câmara não tem outra saída a não ser cassar o seu mandato. É preciso dar um basta definitivo a essa situação vergonhosa, que gera indignação e afronta os cidadãos que esperam mudanças e um pouco mais de ética.