OPINIÃO

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As altas nos preços e as consequências para todos

Da Redação

| Edição de 08 de maio de 2019 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O aumento no preço do gás de cozinha e do diesel, que passou a valer a partir deste domingo, já pode ser visto no dia seguinte nas revendas e postos de combustíveis. Chama a atenção que, nos poucos casos de queda nos preços, há uma demora de dias até que o novo valor seja repassado aos consumidores.

Os impactos deste tipo de medida, que fez com que o botijão de gás de cozinha de 13 quilos chegasse ao espantoso valor de R$ 70, infelizmente recaem com maior intensidade entra a população mais vulnerável. Não faz muito tempo que o relato de pessoas retomando o uso do fogão à lenha correu o país. Além de mostrar o retrocesso nas políticas de redução das desigualdades sociais conquistadas nos últimos anos, descrições como esta revelam mazelas que governo nenhum conseguiu abordar com eficácia definitiva. Soluções paliativas tiveram relativo sucesso, mas acabaram por perder eficiência, seja por descontinuidade de novos gestores, seja por crises econômicas que, no Brasil, são quase cíclicas.
O reajuste do diesel, além do mesmo impacto direto para os consumidores causado pela alta do gás, entra ainda na seara do transporte de mercadorias e a dependência brasileira em um único modal: o rodoviário. A ausência de alternativas viáveis para o trânsito de cargas, sobretudo para o escoamento da produção para portos e aeroportos, sufoca a economia brasileira, tornando-a menos competitiva do que em relação a outros países concorrentes no mercado internacional.
Esta situação, somada ao baixo valor pago pelos fretes, faz com que nossas estradas se transformem em verdadeiras bombas-relógio prestes a explodir. As rodovias lotadas de veículos e o asfalto em condições abaixo do aceitável em grande parte da malha viária recebem caminhoneiros sem dinheiro suficiente para manter seus caminhões com a manutenção em dia. Muitos deles, inclusive, dirigem por horas além do que seria saudável, colocando em risco a integridade dele próprio e também dos outros motoristas. Não à toa, somos campeões em acidentes fatais no mundo.  
O Brasil precisa de políticas públicas que garantam uma vida digna para a população. Se os reajustes, tanto do gás quanto do diesel, são necessários, é preciso que as pessoas possam arcar com estas altas. Poucas coisas são mais urgentes no Brasil, hoje, do que projetos governamentais que fortaleçam a capacidade econômica de seus cidadãos.