Uma substância que promete tratar o câncer está provocando um amplo debate no País. É a fosfoetanolamina, criada por um pesquisador do Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP). Por um lado, a droga traz esperança a milhares de brasileiros que estão acometidos por essa terrível doença - em muitas vezes terminal -; por outro, gera controvérsia junto a médicos e especialistas , já que a “fosfo”, como é chamada, não passou por nenhum teste clínico em seres humanos. Por isso, não tem autorização para ser comercializada e não é considerada um medicamento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Como falta ainda regulamentação, muitos pacientes estão procurando a Justiça para conseguir o direito de se tratar com a fosfoetanolamina. Em recente decisão, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, liberou o uso da suposta droga anticâncer, ampliando o debate em torno do assunto.
Em Apucarana, dois pacientes conquistaram na Justiça o acesso à substância junto à USP de São Carlos. A Tribuna contou a história de Amaryllis Perez, de 63 anos. Ela está tomando a fosfoetanolamina há 20 dias e relata resultados favoráveis no tratamento. “Antes, eu sentia a vida escapando. Hoje, depois de 20 dias de tratamento, posso dizer com toda a certeza: estou viva!”, disse à reportagem. É uma declaração forte. Embora não esteja embasada em testes, chama atenção para os resultados obtidos com o tratamento alternativo.
Há pelo menos mais 30 pacientes de Apucarana que devem entrar na Justiça para garantir a chance de se tratar com essa substância, segundo informou o advogado dos apucaranenses que conseguiram a “fosfo” na Justiça.
Com tantos relatos, é fundamental um posicionamento mais concreto da Anvisa e também das comunidades acadêmica e científica. Não seria o caso de tentar levar adiante, rapidamente, essa pesquisa? Não seria mais justo com os milhares de pacientes com câncer, que sofrem diariamente, juntamente com seus familiares? Se não é possível dizer que funciona sem testes, também não é possível dizer que não funciona. Esse debate precisa ganhar os laboratórios imediatamente.