A greve dos caminhoneiros é justa. A categoria enfrenta graves dificuldades financeiras por conta do preço alto do diesel e da queda acentuada do valor do frete. A situação piorou desde 2015, quando o setor realizou uma grande mobilização no país, fechando rodovias em praticamente todos estados.
Na região, a categoria realiza desde segunda-feira manifestações em várias estradas federais e estaduais, incluindo a BR-376 (Califórnia e Mauá da Serra), BR-369 (Arapongas), PR-444 (Arapongas) e PR-218 (Sabáudia). O movimento promete novos bloqueios nos próximos dias, fechando todas as vias de acesso aos principais municípios para os veículos pesados.
Desde que a Petrobras iniciou sua nova política de preços para os combustíveis, em 3 de julho do ano passado, o óleo diesel subiu 56,5% na refinaria, segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). O litro do combustível passou de R$ 1,5006 para R$ 2,3488 (sem contar os impostos). O aumento acompanhou a cotação do petróleo no mercado internacional, exatamente a intenção da estatal.
Esse reajuste, no entanto, está inviabilizando o trabalho dos caminhoneiros. Por isso, a categoria reivindica medidas que promovam a redução do combustível nas bombas.
A greve da categoria deve começar a trazer transtornos em breve. Como a adesão dos motoristas é grande, muitos produtos e itens básicos não estão sendo transportados desde o último final de semana. O primeiro reflexo, assim como nas manifestações de 2015, deve ser curiosamente a falta de combustíveis nos postos. Muitos já estão sem receber novos estoques e a tendência é que os reservatórios se esvaziem até o início da próxima semana.
Por isso, a importância de buscar uma solução antes que as filas comecem a surgir nos postos de combustíveis e a paralisação provoque transtornos no fornecimento de alimentos.
O preço atual dos combustíveis é inaceitável não apenas para os caminhoneiros, mas para toda a população. Os reajustes em série afetam o poder de consumo das pessoas. Muitas precisam dos veículos para trabalhar e tem sua rotina profissional comprometida.
O governo argumenta que o combustível foi reajustado por conta das oscilações do mercado internacional. No entanto, o nível que os preços chegaram passaram do limite. São valores inaceitáveis e impraticáveis, que justificam uma greve que traz prejuízos ao todo o país.