OPINIÃO

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Insuficiência respiratória e o coronavírus

Por Celso Padovesi, médico pneumologista

| Edição de 13 de junho de 2020 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Em tempos de pandemia de COVID-19, o termo “insuficiência respiratória” vem sendo bastante falado. Mas o que de fato significa esse termo? Antes de entender o seu significado, precisamos entender um pouco sobre as funções do sistema respiratório.
As principais funções do sistema respiratório são captar o oxigênio do ar durante a inspiração, transferir este oxigênio para o sangue e retirar o gás carbônico do sangue, eliminando-o no ar através da expiração.
Quando uma doença afeta o sistema respiratório, seja nas vias aéreas, nos pulmões ou nos vasos sanguíneos, essas funções de captação de oxigênio e eliminação de gás carbônico podem ficar comprometidas. Diversas doenças podem afetá-las, como pneumonia, crise de asma, embolia pulmonar, gripe e a própria COVID-19.
Dependendo do tipo de doença, essas funções podem ser acometidas ao mesmo tempo ou de forma separada, ou seja, pode haver dificuldade em captar o oxigênio, mas nenhuma dificuldade para eliminar o gás carbônico, e vice-versa. Quando pelo menos uma delas está seriamente comprometida, dizemos, então, que o paciente está com insuficiência respiratória.
Se a captação de oxigênio está comprometida, inicialmente há uma redução na quantidade de oxigênio que passa do ar para os vasos sanguíneos. Em quadros leves, o paciente pode não apresentar nenhum sintoma, e essa alteração é apenas percebida através do exame clínico. Caso a captação de oxigênio seja gravemente comprometida, então surgem sintomas como falta de ar, tontura, fraqueza, sonolência, sensação de desmaio e até perda de consciência.
Se a eliminação de gás carbônico está comprometida, o paciente também pode não apresentar sintomas nos quadros mais leves. Essa alteração será inicialmente detectada apenas no exame de gasometria arterial, mas o médico pode suspeitar a partir de algumas alterações no exame clínico.
Quando o quadro se agrava e há um acúmulo muito grande de gás carbônico no sangue, o paciente pode apresentar falta de ar, sonolência excessiva, confusão mental e até coma.
No caso de tanto a captação de oxigênio quanto a eliminação de gás carbônico estarem comprometidas, o quadro de insuficiência respiratória costuma ser mais grave e os pacientes costumam apresentar sintomas mais intensos.
Falta de ar não é sinônimo de insuficiência respiratória. Porém, todo paciente com falta de ar deve ser avaliado por um médico, pois, através da história clínica e do exame clínico, já é possível suspeitar se o paciente pode ou não estar num quadro de insuficiência respiratória.
Concluindo, o sistema respiratório é fundamental para a manutenção da vida, e, portanto, o seu mau funcionamento pode comprometer as funções de vários outros sistemas do nosso corpo, colocando a vida em risco.