OPINIÃO

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O terrorismo e a crise institucional do Brasil

Da Redação

| Edição de 23 de julho de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A quinze dias do início das Olimpíadas, a Polícia Federal prendeu um grupo de pessoas suspeitas de planejar ações terroristas durante os jogos. A notícia por si só é chocante e engrossa a coleção de más notícias que vêm acompanhando os jogos olímpicos - os primeiros realizados no País e que chegaram, entretanto, em plena crise política e, principalmente, moral de toda a nação.
Mais que as prisões do caso, os poucos detalhes divulgados a respeito dos envolvidos que causam maior perplexidade. Dos 10 presos, sabe-se que tem idades entre 20 e 40 anos, são todos brasileiros e nenhum tem ascendência árabe, mas todos adotaram nomes árabes e têm franca admiração pelo terror espalhado pelo Estado Islâmico.
Apontado pelo Ministério da Justiça como líder - fato desmentido pelo juiz federal responsável pelos mandados expedidos - o suposto líder do grupo era um rapaz de 21 anos, radicado há alguns meses na região metropolitana de Curitiba. Ele trabalhava em um supermercado e nunca teve registro policial, ou seja, um cidadão comum.
Pessoas comuns que tinham em comum a admiração pelo terrorismo, que não tinham vergonha em demonstrar esse desejo de terror. O perigo do caso se resume nessa particularidade muito mais que nos planos vagamente delineados pelo grupo. Amadores e desorganizados, segundo o Ministério da Justiça, eles começaram a se movimentar para comprar um fuzil, mas estavam longe de se comportar como uma célula terrorista profissional. O fato de serem rastreados via aplicativos de celular comprova isso.
Entender porque o terrorismo fascina e angaria soldados ao redor do mundo, incluindo um contingente cada vez maior de pessoas como esses brasileiros - cidadãos que não têm qualquer relação familiar ou geográfica com o intrincado conflito árabe - é um desafio para a sociedade global. O aliciamento de jovens para o Estado Islâmico é um dos maior problemas da Europa hoje.
Pensar porque, no Brasil, pode vicejar o fascínio pelo terror passa necessariamente por um reflexão a respeito da profunda crise institucional que o país enfrenta. Um país onde a cada dia um novo escândalo de corrupção ganha o noticiário, onde a população duvida mais e mais da classe política, da eficiência das leis e, por consequência, do judiciário. A lei, aliás, parece que se tornou uma inimiga da sociedade e ganha força o discurso que a legislação ‘só serve para proteger bandido’.
É o colapso geral das instituições que alimenta o discurso do ódio a ponto da ideologia de destruição que grupos como o El representa ser vista como uma saída, um ideal. Um ideal não para o crime organizado, mas um ideal para o cidadão comum, que vive sob a lei. Isso sim é muito assustador.