OPINIÃO

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Polêmica do pedágio em Arapongas exige bom senso

Da Redação

| Edição de 07 de junho de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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É preciso bom senso na polêmica envolvendo o pedágio de Arapongas. Na manhã de segunda-feira, a Concessionária Viapar decidiu fechar o acesso à Estrada do Ceboleiro, utilizada por moradores da cidade e também de Rolândia para desviar do pedágio da BR-369. A via foi aberta por manifestantes há pouco mais de uma semana e passou a ser utilizada até mesmo por caminhões e carretas. 

A Viapar argumenta que uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) lhe dá direitos de fechar a rota secundária. Já o movimento “Tarifa Zero”, criado por moradores dois municípios, contesta a decisão, argumentando que a Estrada do Ceboleiro tem cerca de 50 anos e não pode ser bloqueada, pois é de “servidão pública”. O movimento promete entrar com uma ação civil pública contestando a medida tomada pela concessionária, responsável pela BR-369. 

O momento é de tensão entre os manifestantes e a Viapar. Esse desvio já foi fechado e reaberto inúmeras vezes. O movimento “Tarifa Zero” cobra isenção ou pelo menos desconto na tarifa pra quem mora perto da praça de pedágio. Atualmente, motos pagam R$ 4,10 e carros de passeio R$ 8,20. As negociações entre moradores e a concessionária, no entanto, não avançaram. 

Arapongas iniciou a mobilização após ação semelhante realizada em Mandaguari. Na prática, a situação é a mesma. Naquela cidade, a Viapar também fechou uma rota alternativa e os moradores iniciaram um amplo movimento pedindo a reabertura dessa via e também descontos na tarifa. No caso de Mandaguari, os manifestantes obtiveram êxito. A partir do dia 15 de junho, motoristas com veículos emplacados em Mandaguari terão desconto de 80% na tarifa. Tem direito ao benefício 22.440 veículos. No entanto, os condutores precisarão realizar um cadastro na prefeitura. 

A concessionária e o movimento “Tarifa Zero”, de Arapongas, precisam chegar a um acordo. Como a Viapar garantiu o benefício em Mandaguari, o lógico seria também atender a reivindicação na praça de pedágio da BR-369. No entanto, a situação é muito mais complicada nessa negociação por conta do grande número de veículos emplacados. São 78.335 em Arapongas e outros 39.197 em Arapongas, somando 117.532. Certamente, a Viapar será muita mais dura nos debates e, dificilmente, irá conceder os mesmos 80% em Mandaguari. 

Apesar desse impasse, é fundamental abrir um canal de negociação. Os moradores têm razão em cobrar um posicionamento da concessionária, que arrecada milhões com o pedágio e está em dívida, principalmente na questão do contorno de Arapongas, que até agora não saiu do papel. O que não pode é haver radicalismos nessa discussão.