OPINIÃO

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Prevenção não pode sair da pauta da saúde pública

Da redação

| Edição de 01 de dezembro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Criado em 1987, o Dia Mundial de Luta contra a Aids, lembrado ontem, existe para fazer um alerta sobre uma doença que ainda é um dos maiores problemas de saúde pública. Segundo relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), mais de 35 milhões de pessoas já morreram por causa da doença, 1 milhão delas somente em 2016.
Na região, segundo levantamento feito pela 16ª Regional de Saúde de Apucarana a pedido da Tribuna, 244 novos casos da doença foram registrados nos últimos três anos. O levantamento do perfil dos infectados mostra que o vírus tem avançado entre homens, que representam 68% dos novos casos, e jovens – a maioria tem menos 34 anos.
No mundo, segundo a Unaids, um terço das novas infecções ocorre em pessoas de 15 a 24 anos. Em outros momentos já se apontou o risco que as novas gerações – que não presenciaram o devastador surgimento da doença, quando não havia protocolo de tratamento e os doentes, incluindo ídolos da música, definhavam aos olhos da sociedade - correm em relação a aids por conta de displicência no comportamento sexual. 
O próprio governo federal tem pecado na questão da prevenção. O sexo seguro sumiu das campanhas e da pauta do Ministério da Saúde, que já foi notório em tocar no assunto com ações de marketing inovadoras principal durante o carnavais do passado, com distribuição maciça de preservativos.
Se a aids mantém números estáveis e até registra uma certa tendência de queda no Brasil, não se pode dizer o mesmo da sífilis, outra doença sexualmente transmissível que está crescendo em ritmo de epidemia. Dados do Ministério da Saúde, divulgados em novembro, apontam que o o número de óbitos infantis e fetais pela doença congênita (transmitida pela mãe) triplicou nos últimos dez anos. No ano passado quase 1,5 mil bebês morreram no útero de suas mães infectadas ou até um ano após o nascimento.
O problema é nacional. Na região da 16ª RS de Apucarana, os casos da doença em gestantes, dispararam entre 2011 e 2016, passando de 5 casos para 89. Já o registro da sífilis adquirida, aquela transmitida durante relações sexuais, aumentou 472%, no período.
Como se vê, as DSTs são um problema grave de saúde pública que exige uma resposta a altura. De nada adianta implantar a vacina contra o HPV, outro vírus transmitido sexualmente, se a oferta não vier acompanhada de uma ampla e consistente campanha de conscientização. Não se fez isso e as vacinas encalharam nas UBS. Educação sexual está virando um tabu neste país. E isso é um retrocesso perigoso para a saúde pública.