OPINIÃO

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Problematizando o “MIMIMI”

Por Adrian Gustavo, estudante do 2º ano de Jornalismo na UEL

| Edição de 14 de junho de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Recentemente, muitas pessoas têm compartilhado conteúdo que repudia o intenso “MIMIMI” da nova geração. Para entender o porquê disso é preciso realizar uma análise histórica. Sociedades humanas nunca foram justas e igualitárias. Injustiças eram cometidas e incentivadas, até pelos órgãos que supostamente garantiriam os direitos dos cidadãos. Com isso, a sociedade acomodou-se a presença das injustiças.

Porém, a sociedade está em transformação, de modo que, num processo lento, gradual e de aceitação restrita, as injustiças combatidas. Nos últimos anos, a ampliação do acesso à informação, principalmente pela juventude, intensificou o processo de problematização da realidade, ou seja, já que esta geração acessa mais informação, identifica e questiona a realidade social com mais avidez.

Mas, essa crescente problematização desagrada os setores acomodados da sociedade, pelo choque, afinal aquilo que tem como certo é posto em xeque e porque a compensação dos desprivilegiados ameaça aqueles que possuem regalias. Como, a meu ver, e creio que também para a classe acomodada, não há ônus na problematização social, estes adotam uma estratégia eficiente quando não se pode “vencer” um discurso argumentando: a quebra da credibilidade do discursante.

A credibilidade do discursante é o que permite que confiemos em suas palavras. Uma vez que esta é posta em dúvida, tudo o que a pessoa diz soa dúbio e insustentável. E como a credibilidade daqueles que problematizam é desestabilizada? Colocando suas reclamações como exageradas e infundadas e os problemas apontados como fruto de sua desocupação e inadequação à sociedade. São frescuras, “MIMIMI”. Isso deslegitima o discurso e estigmatiza esses grupos. Um bom exemplo, é a imagem de grupos feministas ou indígenas perante a opinião pública.

A exigência de que os direitos humanos intransferíveis e inalienáveis, inclusive de criminosos, seja cumprida, a inferiorização da figura feminina no outdoor do filme dos X-Men, lutar pela cultura brasileira, nada disso é “MIMIMI”.

Compreender e preocupar-se com o que não nos afeta diretamente é complicado, mas, é necessário, já que o que permite a existência de vida social é a coesão de seus membros. Problematize, não só a realidade, mas também seus conceitos.

Nunca aceite alguma coisa antes de colocá-la em dúvida. Ouça e tente entender todos os participantes da realidade social. O ser humano é complexo; para compreender algo verdadeiramente humano, é preciso realizar uma análise multifocal e multidimensional.

Concluindo, quero lembrar que Jesus foi aquele que pregou amor mútuo e irrestrito. Entre aqueles que brincaram com o conceito “direitos humanos para humanos direitos” estão Hitler e Mussolini. A separação parece clara, mas não é. A linha é tênue e borrada.