A Prefeitura de Arapongas, em parceria com o Conselho Tutelar, desenvolve, desde o ano passado, um programa voltado às escolas da rede municipal de ensino que orienta e debate com os alunos mas relativos à segurança pessoal. Denominado "Criança Informada, Criança Segura", o projeto conta com participação de guardas municipais, que são responsáveis por palestras e pelo contato com alunos do terceiro ano do ensino fundamental nas escolas, além de assistentes sociais, psicólogas e conselheiros tutelares.
Entre os temas tratados pelo programa estão situações que envolvem trânsito, segurança pessoal - os guardas orientam as crianças a respeito de comportamentos mais seguros em várias situações do cotidiano - e violência sexual. A etapa sobre enfrentamento de abuso infantil foi encerrada nesta semana.
Segundo dados divulgados pela Guarda Municipal, durante as atividades, cinco casos suspeitos de abuso infantil foram identificados e atualmente estão sob investigação dos órgãos competentes e acompanhamento do Conselho Tutelar. No ano passado, o programa identificou dois casos.
A efetividade da ação é um exemplo de como o tema precisa ser tratado, com informação e ações sistemáticas voltadas a um público específico. Abuso infantil geralmente é um tema em discussão para adultos, o que é importante na medida em que dá ferramentas para pais, professores e responsáveis identificarem e combaterem o problema. Contudo, ações como a desenvolvida em Arapongas dão um passo importante em direção às crianças.
Ao sistematizar a discussão sobre o abuso dentro do ambiente escolar e apontar às crianças critérios precisos do que é violência sexual, o programa tanto preenche uma lacuna deixada aberta por muitas famílias que não abordam o tema adequadamente em casa quanto abre um canal de comunicação onde os alunos podem reportar o abuso.
Educação sexual no Brasil ainda é cercada de tabu e, não raro, o tema acaba sendo relegado em segundo plano por conta da patrulha moralista.
A carência de informações sobre sexualidade, diretos reprodutivos e afins vira problema de saúde - basta ver os altos índices brasileiros de gravidez na adolescência e o crescimento dos casos de sífilis entre gestantes, só para citar alguns dos problemas da área - e também de segurança pública. Informação e orientação não previne apenas DSTs, mas também dá ferramentas para as vítimas de violência sexual, sejam crianças, adolescentes ou adultos.