O senador Alvaro Dias (PR), que em janeiro trocou o PSDB pelo PV com a perspectiva de concorrer à Presidência da República em 2018, enfrenta o primeiro constrangimento interno no seu novo partido. Formalizada a nova filiação, no primeiro discurso que fez em plenário como “verde” o parlamentar defendeu a manutenção dos investimentos da Petrobras na subsidiária Petrosix, responsável pela produção de gás de xisto na usina de Irati, em São Mateus do Sul. A produção desse tipo de energia é tudo o que o PV abomina por considerar a atividade excessivamente poluente.
O neoambientalista Alvaro Dias terá que baixar a fervura que causou no PV. O líder do partido na Câmara, deputado Sarney Filho (MA), tem um projeto de lei apresentado em 2013 propondo a suspensão da exploração do gás de xisto por cinco anos. Ele quer uma moratória na atividade, inclusive com o fechamento da usina defendida por Alvaro Dias. “Essa é uma posição equivocada que precisa ser melhor esclarecida”, disse Sarney Filho ao Congresso em Foco. A proibição da exploração do gás de xisto no Brasil é meta de todo ambientalista do PV.
Alvaro Dias diz não ver problemas na exploração do xisto. Ele argumenta que o fechamento da usina seria um desastre para toda a região sul do Paraná, com reflexos que transcendem as fronteiras estaduais, uma vez que a usina abastece São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Dias alega que a tecnologia utilizada em Irati é a do fracionamento hidráulico e foi chancelada pelo Instituto de Preservação Ambiental do Paraná.
Hoje a unidade do Paraná gera mais de 3 mil empregos diretos e indiretos. Além disso, segundo o senador, a usina recolhe R$ 98 milhões em impostos e royalties por ano, o que representa 48% da renda do município.