POLÍTICA

min de leitura - #

Apucaranenses demonstram força na Operação Lava jato

Edison Costa

| Edição de 08 de maio de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

Duas autoridades em nível nacional, que têm suas origens em Apucarana, vêm se destacando nos trabalhos da Operação Lava Jato, desenvolvida pelo Ministério Público Federal, Procuradoria Geral da República, Justiça Federal e Polícia Federal. São eles o procurador da República no Paraná, Dr. Carlos Fernando dos Santos Lima, e a delegada de Polícia Federal, Dra. Erika Mialik Marena, que integra o grupo de trabalho com outros delegados.

Imagem ilustrativa da imagem Apucaranenses demonstram força na Operação Lava jato

Dr. Carlos Fernando é filho do ex-vice prefeito de Apucarana, o ex-promotor de Justiça, Osvaldo dos Santos Lima, que também foi deputado estadual representando o município e região. Dra. Erica é filha do museólogo apucaranense Ninger Marena.

Ambos têm desempenhado um papel fundamental nas investigações sobre corrupção na Petrobras e em outras estatais, o que tem resultado nas prisões de políticos, empresários e outras pessoas, nesta operação comandada pelo juiz federal paranaense Sérgio Moro.

Dr. Carlos Fernando concedeu entrevista exclusiva à Tribuna, onde fala das ações da Lava Jato, do grau de corrupção no País e o que pode ser feito para combater ou pelo menos diminuir este mal endêmico que prejudica o País. Dra. Erika também foi procurada através de sua assessoria, porém não deu retorno. Confira a entrevista com o procurador geral das República do Paraná:

TRIBUNA DO NORTE - Como o sr. avalia o grau de corrupção no Brasil?

DR. CARLOS FERNANDO -Infelizmente a corrupção em nosso país é endêmica. Não bastasse a pequena corrupção, aquela que ocorre no dia-a-dia das pessoas comuns, como o valor do cafezinho para se evitar uma multa, o que mais estarrece é a disseminação da grande corrupção, que envolve o poder político e empresarial na nossa República. Certamente, isso decorre de uma cultura patrimonialista de nossa cultura, que entende que o poder público pode ser apropriado por interesses privados. Mas também há o custo de se fazer política no Brasil. Enquanto houver a necessidade de se sustentar máquinas partidárias extremamente caras, campanhas políticas milionárias, dependermos de puxadores de voto, etc., não haverá nenhuma possibilidade de reverter esse quadro.

TN - O que pode ser feito para diminuir o grau de corrupção no País?

DR. CARLOS FERNANDO - Temos primeiramente que mudar a legislação. Para isso o Ministério Público capitaneou a campanha “10 Medidas contra a Corrupção” e alcançou mais de dois milhões de assinaturas. Essa proposta então foi levada pela sociedade para o Congresso Nacional, e foi transformada em projeto de lei. Precisamos dar continuidade a essa campanha, pedindo aos parlamentares que apoiem a medida.

Mas isso não basta. Precisamos diminuir toda a estrutura burocrática do Estado Brasileiro. Precisamos acreditar nas pessoas e evitar que o excesso de exigências e de burocracia entrave o livre exercício das atividades econômicas, sociais e pessoais dos brasileiros.

Por fim, precisamos de uma reforma política. Diminuição no número de partidos, alteração no sistema de votação proporcional, limitação ao valor de doações, etc. Há um sem número de propostas que podem e devem ser discutidas sobre isso.

TN - Quanto de recursos foram desviados da Petrobras?

DR. CARLOS FERNANDO - Não existe estimativa clara a respeito. Sabemos que houve a baixa de cerca de 6 bilhões de reais no balanço da Petrobras. Há estimativas de mais de 40 bilhões em danos decorrentes de propinas e má gestão. O que é realmente má gestão e o que é simplesmente uma forma de possibilitar ou facilitar o desvio jamais será perfeitamente clarificado. O que importa é que já alcançamos a recuperação de valores bastante expressivos, um montante que excede o total de toda recuperação em nossa história. Entretanto, isso jamais será suficiente. Precisamos mudar o nosso futuro para que isso nunca mais ocorra.

TN - Até que ponto a Lava Jato pode chegar nas investigações e ter um resultado final?

DR. CARLOS FERNANDO - Não há uma linha de chegada. Com certeza gostaríamos de expor para toda a população como ocorreu todo o esquema. Para isto estamos seguindo adiante, sempre na busca de toda a cadeia de comando da corrupção na Petrobras. Mas o Ministério Público federal ainda terá muito trabalho pela frente, pois esse esquema se replicou em diversas outras estatais e órgãos públicos. Para isso já há investigações derivadas da Lava Jato, como a Pixuleco em São Paulo, o Eletrolão no Rio de Janeiro, ou Belo Monte, que ainda não foi estabelecida a competência. Há muito o que fazer, como as áreas dos grandes bancos públicos e dos fundos de pensão, só para dar um exemplo.

TN - O que o sr. pensa da chamada “República de Curitiba”?

DR. CARLOS FERNANDO - Somos todos aqui Procuradores da República e, portanto, o conceito de república é para nós muito caro. Fui eu que na 7ª Fase da Operação Lava Jato, aquela que prendeu diversos empreiteiros, insistiu no aspecto republicano de nossa investigação. Ser republicano significa defender a coisa pública, o bem comum e a igualdade formal entre as pessoas. Esse é o nosso compromisso.

Quanto ao termo República de Curitiba, trata-se de um elogio, que mostra o valor do nosso trabalho, mas não podemos fazer disso uma visão de que o Paraná, ou o próprio sul do Brasil, é melhor que o restante. Na verdade sofremos do mesmo mal, como as investigações da Operação Publicano e Valdemort, que o Ministério Público do Paraná já mostrou. Precisamos realmente transformar nosso Brasil e fazer valer o princípio democrático e republicano para todo o País.

TN - Conta-nos um pouco de sua origem em Apucarana e sua atuação profissional no Paraná.

DR. CARLOS FERNANDO - Tenho muito orgulho de ser apucaranense. Saí de Apucarana ainda criança, com seis anos, mas nunca me esqueci da casa de meus pais, da casa de minha avó e de minha tia. Sou pé-vermelho e não há região mais bonita para mim que o Norte do Paraná.

Meu pai, Osvaldo dos Santos Lima, foi Promotor de Justiça e vice-prefeito de Apucarana. Também representou a região na Assembleia Legislativa do Paraná. Ele conheceu minha mãe, Nohêmia de Jesuz dos Santos Lima, e se casou com ela em Apucarana. Minha avó, Maria Antônia Bento, mesmo viúva, veio para Apucarana, no tempo que era considerada sertão ainda, para dar oportunidade de estudo para as quatro filhas. Isso tudo faz parte de mim e do que sou hoje.