Em uma palestra para políticos e empresários, o vice-presidente Michel Temer defendeu ontem um "governo de União nacional" e disse que a carta escrita para a presidente Dilma Rousseff é um assunto "superado". Ele afirmou no evento, em Porto Alegre (RS), que a conversa mantida com Dilma na noite da quarta-feira (9) serviu para "acertar os ponteiros" e afirmou que a petista "compreendeu" as observações feitas no documento.
"Tivemos uma relação muito cordial, como convém. Ela compreendeu as eventuais observações que fiz, como ressaltou [o ex-ministro Eliseu] Padilha, de natureza pessoal. Se [a carta] fosse um instrumento político, eu faria de outra maneira."
Ele diz que usou a expressão latina Verba Volant Scprita Manent (em português, "as palavras voam, os escritos se mantêm") para reforçar a importância da carta.
"Escrevi com o propósito que tem todo bom brasileiro. Digo de mim, de todos os brasileiros, digo da presidente. Ontem (quarta-feira) nos entendemos perfeitamente em relação aos destinos do país e acordamos que faríamos declarações de que tanto no plano pessoal quanto no plano institucional nós teríamos a relação mais profícua possível. Portanto, quando isso ocorre, acho que é em nome do país."
Mais adiante, Temer falou da necessidade de restabelecer um clima de "otimismo" no país e a busca da "pacificação". Ele se referiu indiretamente à disputa entre governistas e oposição e pediu fim da "guerra quase fratricida".
"Precisamos reunificar o país. Eu tenho trocado ideias com a presidente [Dilma] sobre isso: se nós quisermos fazer o país prosperar nesse momento de dificuldade, nós temos que chamar todos os setores sociais, todos os partidos públicos. Nós temos que fazer quase um governo de união nacional. E eu tenho dito isso à presidente, sugerido, que assim se faça."
Temer assumiu a Presidência de maneira interina, já que Dilma Rousseff foi à Argentina para a posse do presidente Maurício Macri.