Cerca de 30 deputados de oposição e dissidentes da base governista caminharam na manhã de ontem os cerca de 400 metros que separam o Salão Verde da Câmara Federal e a entrada do Palácio do Planalto para “entregar um “aviso prévio” e uma mala de viagens à presidente Dilma Rousseff (PT).
Em meio a cantos contra o PT e Dilma - “Está Chegando a Hora”, entre outros -, os deputados interromperam momentaneamente o trânsito em frente ao Planalto e pararam em frente às grades de proteção. A segurança do Palácio acompanhou de longe.
Na chegada ao Planalto, defensores da presidente Dilma, que estavam do lado de dentro, na fila para entrar em um evento, reagiram aos gritos de “não vai ter golpe” e “golpistas, fascistas, não passarão”.
O “Ato das Mulheres pela Democracia”, com a presença de centrais sindicais e movimentos de esquerda, é mais um promovido pelo Planalto em defesa de Dilma.
A manifestação dos deputados ocorreu no dia seguinte à apresentação na comissão especial do impeachment do parecer favorável ao afastamento da presidente.
Participaram do ato líderes dos principais partidos de oposição. Eles portavam uma grande faixa com os dizeres “Aviso prévio, impeachment já” e uma mala com dinheiro falso colado em sua superfície. As notas traziam montagens com Dilma e com o ex-presidente Lula. Uma delas imitava uma nota de R$ 100, com os dizeres “100 pixulekos”.
Eles colocaram a mala do lado de dentro do “cercadinho”. Ela então foi retirada depois pela segurança do Planalto.
MOBILIZADOR
A manifestação foi idealizada, entre outros, pelo deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), réu no Supremo Tribunal Federal sob a acusação de desviar dinheiro de empréstimos do BNDES e citado na Operação Lava Jato. Deputados da bancada religiosa - Marco Feliciano (PSC-SP) - e da bala - Alberto Fraga (DEM-SP) - também participaram.
Janot defende anular nomeação de Lula
Em manifestação enviada ontem ao STF (Supremo Tribunal Federal), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu que seja anulada a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Casa Civil. Segundo Janot, há indícios de desvio de finalidade na indicação do petista. Lula foi nomeado no dia 17 de março, mas teve sua posse suspensa por decisão liminar (provisória) do ministro Gilmar Mendes.
O ex-presidente foi indicado para a Casa Civil após ser alvo de desdobramentos da Operação Lava Jato e em meio ao agravamento da crise política e aumento da pressão da oposição pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.
O Supremo analisa ações apresentadas pelo PSDB e PSB, que alegavam que Lula foi nomeado para ganhar foro privilegiado e deixar de ser investigado pelo juiz Sergio Moro, o que caracteriza desvio de finalidade.