A quatro dias da votação do pedido de impeachment, a presidente Dilma Rousseff (PT) reuniu um grupo de jornalistas para “fazer uma denúncia de que há um estado de golpe sendo conspirado no Brasil”, repetir que seus autores são o vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mas prometeu, se ganhar a votação da Câmara dos Deputados, fazer uma proposta de “pacto” no País incluindo oposição, trabalhadores e empresários. Segundo ela, não pode ter nem “vencidos nem vencedores”.
Durante a conversa, realizada no Palácio do Planalto e que durou mais de duas horas, Dilma demonstrou bom humor, criticou a imprensa e afirmou que, apesar da crise, dorme bem e não toma remédios para isto.
Apesar de em alguns momentos deixar a entender que pode perder no domingo, quando está marcada a votação do seu pedido de impeachment, a presidente buscou afirmar que acredita na vitória na Câmara e que, após o processo, fará uma “proposta de pacto”, com “todas as forças políticas”, inclusive a oposição.
“Não pode ter vencidos nem vencedores, você não faz um pacto com ódio”, defendeu a presidente, acrescentando que “convido a todos”, citando também “trabalhadores e empresários”.
“Eu vou oferecer um processo de diálogo” e vou respeitar não só os “meus 54 milhões de votos”, mas também “os dos outros”.
Durante a entrevista, Dilma voltou a afirmar que todos aqueles que defendem seu impeachment sem crime de responsabilidade são golpistas. “Não há dúvida de quem defende a interrupção do meu mandato sem prova é golpista”, afirmou.
Questionada se empresários que estão programando fechar shoppings no domingo, no dia da votação, também podem ser classificados de golpistas, a presidente afirmou que não faria distinção. “Todos somos igual perante a lei. Quem defende impeachment sem prova é golpista sem distinção”, afirmou a petista.