A presidente Dilma Rousseff assistiu ontem a votação do processo de impeachment na Câmara na biblioteca do Palácio do Planalto. Ela estava acompanhada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de ministros e governadores petistas.
"Decepção", resumiu o ex-presidente Lula com o voto favorável ao impeachment do ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento (PR-AM). Para o governo, o parlamentar votou movido pela vingança por ter sido exonerado por Dilma em 2011.
As traições no PSD também frustraram a equipe da presidente, que culpou os presidentes nacionais do partido, Gilberto Kassab, e do PP, Ciro Nogueira, pela derrota. A presidente reagiu aos discursos de alguns parlamentares favoráveis ao impeachment. "Como é que alguém consegue falar que quer acabar com a corrupção olhando para o Eduardo Cunha?", questionou.
Hoje, Lula participa de uma reunião do diretório nacional do PT, instância máxima do partido. Única esperança para sobrevivência do partido, o ex-presidente terá a tarefa de dar ânimo aos petistas após a votação na Câmara dos Deputados que aprovou a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma.
Apesar do discurso petista lembrando que ainda há chances de reversão do quadro no Senado, integrantes da cúpula do partido estão resignados.
O ex-ministro Alexandre Padilha dá mostras do que será a estratégia do partido, afirmando que não deixarão as ruas. Segundo Padilha, Temer saberá o que é governar com "o PT na oposição".
RETROCESSO
Na primeira manifestação oficial do governo federal após a decisão da Câmara dos Deputados, o ministro-chefe do Gabinete da Presidência da República, Jaques Wagner, classificou como um "retrocesso" a instauração de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff e disse esperar que o Senado faça "justiça" à petista.
Ele afirmou que a decisão "ameaça interromper 30 anos de democracia no país" e insinuou que espera uma atenção maior do Senado, uma vez que a decisão em relação às pedaladas fiscais pode abrir brechas para também ter efeito sobre governadores que teriam cometido pedalas fiscais.
Em nota, o petista disse ainda que os deputados federais "fecharam os olhos" às melhorias dos últimos doze anos, período em que o PT está à frente do Palácio do Planalto.
"Confiamos nos senadores e esperamos que seja dada maior possibilidade para que a presidente apresente sua defesa e que lhe seja aplicada justiça. Acreditamos que o Senado, possa observar com mais nitidez as acusações contra a presidenta", disse.
Segundo ele, a votação deste domingo (15) "foi uma página triste virada pelos deputados federais". Ele ressaltou que o pedido aprovado tem "argumentos frágeis" e "sem sustentação jurídica".
"Digo que é um retrocesso porque se trata de um impeachment orquestrado por uma oposição que não aceitou a derrota nas últimas eleições e que não deixou a presidenta governar, boicotando suas iniciativas e a retomada do desenvolvimento do país", disse.