O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que, "se tudo der certo", ele voltará a ser ministro da Casa Civil do governo Dilma. "Na próxima quinta-feira, se tudo der certo, se a Corte Suprema aceitar, eu estarei assumindo o ministério. Eu volto para ajudar a companheira Dilma", afirmou durante discurso em Fortaleza.
Lula ainda fez duras críticas ao vice-presidente Michel Temer (PMDB). "Como constitucionalista, como professor de direito, Temer sabe que o impeachment é golpe", disse o petista quando falava que garantir a governabilidade de Dilma será a resposta do partido à oposição.
A posse de Lula no ministério foi suspensa pelo ministro Gilmar Mendes no último dia 18. Em Fortaleza, ele afirmou que pensou muito antes de assumir o cargo, mas que tomou a decisão de aceitá-lo porque o país "precisa mudar".
No pronunciamento, o ex-presidente voltou a se defender das acusações de que é dono de um tríplex no Guarujá e de um sítio em Atibaia. "Eles inventam que eu tenho tudo isso", ironizou ao dizer que, se fosse verdade, convidaria "todos vocês" para irem lá -em referência aos manifestantes presentes no ato.
Em um discurso rápido, sob chuva intensa, ele não mencionou a Operação Lava Jato ou as novas investigações que ligam o petrolão ao mensalão e ao caso do prefeito Celso Daniel, assassinado em 2002.
O discurso foi realizado em ato a favor do governo com lideranças petistas. Além do ex-presidente, também falaram os governadores Camilo Santana, do Ceará, e Wellington Dias, do Piauí -ambos do PT. Lula encerrou seu discurso dizendo: "Cunha, Temer, não vai ter golpe".
PGR
A Procuradoria-Geral da República (PGR) deve pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja investigado no principal procedimento da Operação Lava-Jato na Corte, o inquérito-mãe que apura crime de formação de quadrilha no esquema de desvios de recursos da Petrobras.
Segundo informações do jornal O Globo, o grupo de trabalho responsável pela Lava-Jato na PGR prepara os primeiros pedidos de abertura de inquérito a partir da delação premiada do senador Delcídio Amaral (sem partido-MS), já homologada pelo STF e tornada pública no último dia 15 de março. Parte das citações a Lula seria encaminhada ao procedimento já existente, conforme um pedido em análise no Ministério Público Federal. O ex-presidente é o político mais citado na delação de Delcídio: são, ao todo, oito acusações ao petista.