Diante do desgaste da relação entre PT e governo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu em reunião com a presidente Dilma Rousseff que Planalto e partido diminuam as rusgas e evitem o enfrentamento público para que o mal-estar não contamine ainda mais a crise no País.
Lula desembarcou em Brasília nesta terça-feira e se reuniu no Palácio da Alvorada com Dilma, o ministro Jaques Wagner (Casa Civil) e o presidente do PT, Rui Falcão.
Uma entrevista de Wagner à Folha de S.Paulo no fim de semana fez com que dirigentes petistas reagissem com irritação ao ministro, que disse que o PT “se lambuzou” no poder ao reproduzir práticas da velha política, como o financiamento privado de campanhas eleitorais.
Segundo aliados, o ex-presidente sabe - e estimula - que o PT cobre o governo, principalmente por mudanças na política econômica, considerada por ele fundamentais para a recuperação da popularidade de Dilma.
Lula, porém, não acha “construtivo” que integrantes do governo e do partido troquem farpas públicas, como ocorreu esta semana quando o ex-ministro da Justiça Tarso Genro, o presidente do PT-SP, Emidio de Souza, e outros dirigentes petistas criticaram Wagner publicamente por sua fala.
Ao lado de Dilma, Lula discutiu também possíveis mudanças na política econômica do governo que, segundo ele, precisam contar com a baixa dos juros para estimular a linha de crédito para investimentos e priorizar a construção civil, para geração de empregos.
Lula foi um dos principais entusiastas da substituição do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, a quem responsabilizava por fazer apenas acenos ao mercado. O ex-presidente defendia Henrique Meirelles para o posto. (Folhapress