Em audiência pública para debater as dez medidas contra a corrupção, o juiz federal Sérgio Moro rebateu as críticas de que as propostas sejam “autoritárias” e defendeu a sua aprovação, “senão em sua integralidade, em sua maioria”.
“Ninguém tem a pretensão de apresentar isso como se fossem dez mandamentos ou coisa que o valha”, declarou Moro ontem, em audiência na Assembleia Legislativa do Paraná, coordenada pelo presidente da Casa, deputado Ademar Traiano (PSDB).
“Pelo contrário. Foi feito um projeto e ele foi colocado no espaço próprio para debate, o parlamento. É totalmente elogiável.” O juiz responsável pelos processos da Operação Lava Jato admitiu que há “uma medida ou outra mais polêmica” e citou, como exemplo, a validação de provas ilícitas colhidas com boa-fé.
“Ninguém nunca imaginou discutir validação de confissão sobre tortura, isso é um delírio. Mas se o problema é esse, então, tira essa parte.”
Para Moro, o Congresso irá demonstrar “de que lado se encontra” ao votar o pacote das dez medidas.
“Sem querer ser maniqueísta, o Congresso vai demonstrar de que lado ele se encontra. Se aprovadas, será uma sinalização importante. As pessoas precisam ter fé nas suas instituições democráticas.”
O magistrado defendeu que reformas no sistema de Justiça criminal brasileiro se fazem necessárias em um “quadro de corrupção sistêmica”, como o que há no Brasil.
A audiência foi promovida pela comissão especial da Câmara dos Deputados que debate o projeto das dez medidas enviado ao Congresso.
Nas galerias, manifestantes pró-Lava Jato gritavam “Viva Sérgio Moro”, “Fora Renan” e “Lula na cadeia”, e aplaudiram de pé o juiz da Lava Jato.
Antes de Moro, também falaram os procuradores da República Deltan Dallagnol e Roberson Pozzobon, integrantes da força-tarefa da Lava Jato, que defenderam a aprovação do pacote na íntegra.