Em defesa do impeachment da presidente Dilma Rousseff, os deputados do PSDB que tomaram a tribuna da Câmara ontem, primeiro dia de análise do processo contra a petista na Casa, apostaram em falas nas quais questionam a moralidade do governo.
“Dilma mentiu e fez tudo para vencer as eleições. Usou recursos de maneira ilegal. Mesmo os mais céticos não tinham ideia da dimensão do que ocorria no submundo do governo. A situação é muito pior do que se pensava. Mantiveram a farsa até a chegada das eleições”, afirmou o vice-líder do partido na Casa, Bruno Araújo (PE).
Ex-líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP) chamou o governo de “desonesto”. Ele foi um dos protagonistas da elaboração do processo de impeachment que está em análise na Câmara, tendo atuado diretamente com os juristas Miguel Reale Jr. e Hélio Bicudo.
“A decência haverá de se sobrepor a um governo moralmente desonesto. Isso é safadeza. Não tem nada de presidencialismo de coalizão. Vossa Excelência locupletou-se da esperança dos brasileiros, do sonho dos jovens e é com muito orgulho que voto pelo impeachment”, afirmou Sampaio.
NA DEFESA
Já o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), José Eduardo Cardozo, iniciou a defesa da presidente Dilma Rousseff lembrando que os tempos são outros, mas a Constituição é a mesma. Ele considerou que o processo é nulo e, se aprovado, o impeachment será uma ruptura constitucional. Cardozo também voltou a desqualificar o relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO) que, para ele, “não sobrevive a uma simples análise, a uma simples leitura”.