O presidente interino da República Michel Temer (PMDB) disse que não vai “fazer milagres” em dois anos, tempo que ficará no cargo até as próximas eleições caso a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) sofra um impeachment.
Em entrevista à revista “Época” nesta sexta-feira, Temer também afirmou que ainda que não “caiu a ficha” de que ele assumiu a Presidência nesta quinta, e que pretende trabalhar para “botar o País nos trilhos”, em referência à crise econômica e política que o Brasil atravessa.
Por isso, as prioridades do novo governo serão recuperar a confiança do mercado na economia, tarefa sob responsabilidade do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), e melhorar as relações entre o Planalto e o Congresso, estremecidas durante o governo Dilma.
“Fui presidente da Câmara por três vezes e sei bem o quanto é necessário ter diálogo com os parlamentares e manter o respeito pelas ideias diferentes. Não é fortuito que tantas lideranças partidárias estejam comprometidas com o ministério que foi montado,” afirmou à revista.
A maioria dos ministros escolhidos por Temer vem do Congresso. Das 23 pastas, 13 são comandadas por deputados e senadores, o que representa 57% da nova formação da Esplanada.
Outra prioridade do presidente interino é a reformulação do pacto federativo, tema que abordou em seu primeiro discurso oficial no cargo. O peemedebista afirma que há um desequilíbrio entre os tributos que vão para a União e o que é recebido por Estados e municípios.
“A partir da próxima semana, formaremos uma comissão que encontre soluções para recompor o pacto federativo, para que tenhamos uma verdadeira federação”, disse.
Ele também disse querer mudar a cultura política do país, resgatando o “valor sagrado” da Constituição.
PROGRAMAS SOCIAIS
Na primeira reunião ministerial, ontem, o presidente interino Michel Temer determinou que sua equipe exponha nos próximos dias a queda na execução de programas como o Minha Casa, Minha Vida e o Pronatec na gestão Dilma Rousseff para se livrar da acusação de que fará novos cortes na área social.
A ideia é afirmar que as principais vitrines da administração petista já vinham sofrendo com a piora do cenário econômico, e tiveram recursos reduzidos ainda sob a batuta de Dilma.
A decisão de tornar pública a redução dos valores gastos com programas sociais foi informada ontem por três ministros de Temer: Eliseu Padilha (Casa Civil), Romero Jucá (Planejamento), e Ricardo Barros (Saúde), após a reunião ministerial.
“Esses programas já foram muito cortados e vamos anunciar que foram cortados. O próprio governo Dilma reduziu a efetividade”, disse Barros.
Romero Jucá foi na mesma linha e disse que “alguns programas” sociais estão “com subfuncionamento”. “Isso também será tornado público para não responsabilizarem o novo governo pelas diminuições já feitas”.