POLÍTICA

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Temer admite tomar medidas impopulares para conter crise

Folhapress

| Edição de 05 de julho de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Após receber carta de apoio de 46 entidades do agronegócio em evento em São Paulo, o presidente interino Michel Temer (PMDB) disse ontem que o governo pode começar a adotar “medidas impopulares”.

“Estamos em um sistema de contenções. A contenção não começou a aparecer ainda. Mas a partir de certo momento começaremos com medidas impopulares”, disse. Ele afirmou que “não teme” fazer isso, porque não tem intenções eleitorais. “O meu objetivo não é eleitoral. Se eu ficar mais dois anos e meio e conseguir colocar o Brasil nos trilhos, para mim basta. Não quero mais nada da vida pública”, declarou.

Temer não deu detalhes sobre a quais medidas se referia.

Imagem ilustrativa da imagem Temer admite tomar medidas impopulares para conter crise

As declarações foram dadas após questionamentos sobre se o reajuste ao funcionalismo aprovado na Câmara e que custará R$ 58 bilhões pode afetar a meta fiscal deste ano, de déficit de R$ 170 bilhões.

Sem os aumentos, complementou, setores realizariam greves, algo “desastroso politicamente”, admitiu. “Está tudo previsto no Orçamento e no déficit de R$ 170 bilhões”, disse.

O presidente não entrou em detalhes, mas um dos temores dos empresários é que uma das medidas seja aumento de impostos. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, não descarta a opção para poder aumentar a arrecadação do governo e melhorar as contas públicas.

No encontro com o agronegócio, Temer disse que conta com a iniciativa privada para a recuperação econômica. “Ter lucro não é pecado”. O interino disse que programas sociais como Minha Casa, Minha Vida e Bolsa Família são necessários, mas que “não há nada mais indigno que o desemprego”.

“Para recuperar o emprego, é preciso que a indústria cresça, o agronegócio cresça, o comércio cresça”, afirmou.

Ao discursar, ele disse que, em pouco tempo de governo, já conseguiu estabelecer uma conexão entre o Executivo e o Legislativo. “Num estado democrático, você depende do apoio do Congresso Nacional. Num estado autoritário, você o ignora”, disse.

Ele citou exemplos como desvinculação das receitas orçamentárias, a modificação da meta fiscal, a proposta limitadora de gastos (que terá também os estados incluídos) e a renegociação das dívidas dos governos estaduais.

Temer disse que pretende viajar a diversos países para pedir o investimento estrangeiro no Brasil, depois de o Senado julgar em definitivo o processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT), caso confirme sua saída.