Mais um ano se aproxima do fim e com ele o tão esperado Natal. Mas pergunto a você, caro leitor e leitora, o que é o Natal? Podemos voltar ao sentido bíblico da festa, que celebra o nascimento de Jesus, fato que não podemos nunca nos esquecer, mas também há aqueles que ligam aos presentes entregues pelo Papai Noel, coisa que não é todo ruim.
Devemos ensinar as crianças a importância de Jesus, ator principal dessa data, mas não há nenhum problema em deixar que elas acreditem no velho barbudo, uma vez que a magia do Natal, ainda que um grande produto comercial e suprassumo do capitalismo, é um momento mágico para as crianças de todas as idades. Sabemos que a Coca-Cola tem sua participação na definição contemporânea do velhinho que voa em seu trenó entregando brinquedos ao redor do mundo, inclusive daí o vermelho de sua roupa. Sabemos que shoppings e empresas exploram ao máximo sua figura para vender cada vez mais, mas ainda assim, existe uma beleza em sua existência.
Quando minha esposa estava grávida de nossa primeira filha, eu dizia que jamais estimularia que a pequena acreditasse em Papai Noel ou Coelhinho da Páscoa, mas anos depois estava eu lá vestido de bom velhinho e meses depois, pintando patinhas pela casa até um ovo de chocolate. Quando crescemos, algo muda e parece que esquecemos como aquilo era mágico, pois acreditar e esperar sempre gera uma sensação satisfatória e de imensa felicidade. Hoje entendo que não se trata de acreditar no personagem, mas no próprio Natal.
O dia 24 de dezembro é muito mais que a véspera do Natal, é o dia da família. Para mim, Natal é isso, é família. O preparo do jantar que só naquele dia chamamos de Ceia, que com muita ou pouca comida, é sempre uma abundância de amor e carinho no preparo. Não se trata do que cada um levou, mas de comer juntos na mesma mesa, ou sentados no sofá ao lado, pois quando a família é grande faltam lugares.
O amigo-secreto não agrada todo mundo, afinal, estou cansado de ganhar camisetas M, obviamente usando GG. Entretanto, é um momento em que podemos declarar as qualidades daquele que tiramos. Dependendo de quem você tirou, dizemos coisas lindas que talvez nunca teríamos dito se não fosse ali.
Li esses dias que o Natal tem morrido em muitas casas quando uma cadeira fica vazia na mesa, mas é algo a ser analisado. Graças ao bom Deus eu não passei por tal situação e que demore muito, mas inevitavelmente ocorrerá. Mas meus pais tiveram pais, bem como os seus e por aí vai. Sempre falta alguém na mesa, mas uma forma de honrá-los e manter viva a tradição e, os que aqui ficaram merecem ter a mesma experiência. A morte é só o outro lado da vida, não o fim. Nunca é o fim. Então na minha cartinha para o Papai Noel desse ano eu não peço nada de presente, apenas agradeço a presença daqueles que amo e a memória dos que amo ainda mais, e que Jesus se faça PRESENTE na minha vida e na daqueles que amo, pois, todos os dias são seus, não só no Natal.