Caros leitores e leitoras, quem me conhece há mais de alguns textos, sabe o quanto prezo pela paternidade e adoro falar sobre o tema. Me tornei pai aos 27 anos, depois de um longo período de solicitações de todos da família, uma vez que tinha um relacionamento desde os dezesseis anos. Para cobrir, em partes, a demanda, temos quatros cães que nos acompanham até hoje. Clark, o mais velho, já tem treze anos e é o verdadeiro rei da casa, mas de fato faltavam “algumas coisas” em nossas vidas.
Antes de falar de minha paternidade, preciso recordar a minha fase como – exclusivamente – filho. Meu pai, Oclarício Bomba, hoje um senhor saudável de 75 anos, foi sempre caminhoneiro, pelo menos é a memória que tenho. Em suas longas viagens – algumas duravam quase um mês – trazia sempre uma experiência nova, um objeto para mostrar que lembrou de mim e de minhas irmãs. O que mais gostava era de docinhos de beira de estrada como paçocas e docinhos de leite. Sempre muito rígido, parecia não demonstrar muito carinho, coisa que hoje vejo com outros olhares.
Meu pai tardou a demonstrar afeto direto, com abraços, beijos e declarações. Hoje, sempre que pode, faz isso com certa intensidade. Essa mudança começou quando eu tinha meus 18 anos e saí de casa em definitivo. Eu havia saído uma vez aos 16 anos, indo morar no Rio de Janeiro, e após os planos não darem tão certo, voltei poucos meses depois. Meu sonho de ser ator se tornou um pesadelo, mas minha família estava lá quando parti e, principalmente, quando voltei. O maior medo do meu pai – hoje sei, pois ele me contou – era que eu não desse “certo” na vida. Eu ainda não dei “certo” na vida na opinião de muitos, mas na do meu pai eu já sou tudo que ele sonhou. Isso me motiva a querer ser ainda mais.
Quando nos tornamos pais, todo e qualquer plano passa por uma revisão. Não significa dizer que deixei (ou deixo) de viver a minha vida, mas o real sentido da minha existência agora gira em torno do bem-estar dos meus filhos. E olha que tenho três para chamar de meus. Meu “trabalho” como pai é o que mais cobra de mim, mas tem a melhor remuneração, coisa que dinheiro algum é capaz de comprar. A preocupação que meu pai tinha hoje faz muito sentido para mim. Não se trata deles conseguirem bons empregos, casas e carros, ainda que isso seja necessário para cada um de nós. O mais importante para mim, assim como sempre foi (e é) para o meu pai, é que eles possam ser felizes.
Ser pai é um privilégio nos dias de hoje, mas exige atitude de quem quer ser pai. Sem querer contrariar o meu velho, não perco tempo tentando demonstrar que sou “durão”, o que para mim fez e faz muito sentido, mas sendo agraciado por esse mesmo pai com um carinho imenso (ele sempre chora em aniversários), sinto-me livre para demonstrar fraquezas aos meus filhos – se isso significar dizer a cada minuto o quanto os amo. Repito, meu pai nunca o fez por falta de amor ou vontade, fez o que aprendeu com o seu pai – que faleceu quando ele ainda era só um menino. Tive e tenho a honra de ter o meu pai comigo até hoje e, se Deus quiser, por mais um longuíssimo tempo, foi com ele que aprendi o peso de ser pai, mas que vale a pena ser carregado. Ao meu pai, aos de todos vocês, um Feliz Dia dos Pais, mas somente para aqueles que sabem realmente significado de sê-lo.