Cerca de 30% dos servidores públicos nos municípios de Apucarana, Arapongas e Ivaiporã tem mais de 50 anos, de acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2016, ano mais recente com dados disponíveis. A situação acende um ‘sinal de alerta’ no funcionalismo público, já que uma grande parte destes trabalhadores está próxima de se aposentar e a reposição de cargos tem sido lenta.
O levantamento leva em consideração funcionários municipais, estaduais e também federais. Dos mais de 5,7 mil servidores públicos das três cidades, 1,7 mil têm mais de 50 anos. O índice é maior em Apucarana, onde 32,7% dos mais de 1,7 mil servidores estão nesta faixa etária, o que equivale a 574 pessoas.
Em Arapongas, o índice fica em 30,5%, com 934 servidores acima dos 50 anos, de um total de aproximadamente 3 mil. Entre os três maiores municípios da região, Ivaiporã tem a menor porcentagem de funcionários públicos nesta faixa etária. São 216 trabalhadores, o que equivale a 23,8% dos 908 que trabalham em repartições públicas na cidade. Entre todos os setores, a Administração Pública é a que tem a maior média de idade.
Berenildo Chagas tem 68 anos, sendo 48 dedicados ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do Governo Federal. A maior parte deste tempo (cerca de 33 anos) foi trabalhada no escritório de Apucarana do órgão. “Muitos já passaram pelo escritório e eu continuo aqui. Somos apenas dois servidores efetivos, eu e outro funcionário, aprovado no último concurso, em 2015”, diz.
Segundo ele, o governo, de modo geral, se utiliza de profissionais temporários para suprir a demanda, através de contratos de três anos. “Acredito que a renovação é importante. Os mais novos acabam trabalhando melhor com as novas tecnologias, tão necessárias atualmente”, destaca.
Anacleto Romagnoli Filho, 70 anos, também é servidor público. Ele trabalha há 35 anos na agência do Ministério do Trabalho de Apucarana, onde hoje ocupa o cargo de chefia. “Acredito que há uma resistência entre os servidores públicos em se aposentar. O governo ‘congelou’ as folhas de pagamento e criou gratificações como forma de aumentar os salários. Estas gratificações não entram no cálculo da aposentadoria e, por isso, os benefícios tendem a ser bem menores do que o valor que o servidor efetivamente ganhava todo mês”, diz.
Há ainda a falta de concurso público. Anacleto trabalha com apenas mais um funcionário, que chegou em janeiro de Arapongas, onde a agência do Ministério do Trabalho foi fechada. Antes disso, Anacleto trabalhou sozinho por cerca de seis meses, após aposentadoria de outra funcionária. “Se eu me aposentasse quando fiquei sozinho, havia grandes chances de fecharem a agência de Apucarana. O problema da falta de reposição vem de décadas e tende a se agravar nos próximos anos, com o ritmo de trabalhadores dando entrada em suas aposentadorias”, aponta ele.