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A cada 36 horas uma pessoa é vítima de intoxicação por remédios na região

Vanuza Borges

| Edição de 13 de maio de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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A cada 36 horas, em média, uma pessoa é intoxicada por remédios na região da 16ª Regional Saúde (RS), de Apucarana, que abrange 17 municípios. Em 2015, o órgão registrou 210 ocorrências. Nos últimos cinco anos, o número deste tipo de registro apresentou uma alta de 56%. Em 2010, foram 134 notificações. Neste período, o ano com mais casos foi 2012, com 272. Somente neste ano já foram 61 casos.

Imagem ilustrativa da imagem A cada 36 horas uma pessoa é vítima  de intoxicação por remédios na região

Os números seguem uma tendência estadual. Um levantamento feito pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) aponta que os medicamentos são os principais responsáveis por intoxicações no Estado. Somente no ano passado, 4.461 casos foram registrados.

De acordo com os dados estaduais, a cada duas horas, pelo menos um paranaense é vítima de intoxicação por medicamento. Apesar do maior acesso à informação, o problema tem aumentado nos últimos anos. Num comparativo com 2011, o número de casos teve uma alta de 12%.

No Estado, na sequência, aparecem as situações se intoxicação causadas por drogas de abuso (846), produtos de uso domiciliar (641) e cosméticos (63). Na área da 16ª RS, os medicamentos também são os principais responsáveis por intoxicações. Só para ter uma noção, de 2011 e 2015, foram registrados 28 casos de intoxicação por cosméticos. Já as situações envolvendo produtos de uso domésticos, de 2010 a 2016, foram 227, sendo cinco neste ano.

SINTOMAS

Para o farmacêutico apucaranense Márcio Antoniassi, membro do Conselho Regional de Farmácia, apesar de cada indivíduo reagir de uma maneira, os sintomas mais comuns da intoxicação por medicamentos aparecem na pele, como vermelhidão e coceira. Vômito é outra característica comum. “Já outras pessoas podem ter dor de cabeça, tontura e mal-estar. Os sintomas variam de acordo com cada organismo e também com os componentes”, diz.

Para evitar a intoxicação, o profissional orienta sempre tomar medicamentos receitados por médicos e seguir corretamente as prescrições, como dose, horários e período de administração do remédio. “Prolongar o uso de alguns remédios, como anti-inflamatório, pode sobrecarregar os rins. O correto ao identificar que o medicamento não está fazendo efeito é retornar ao médico”, sublinha.

Já sobre o período de administração, ele explica que ao tomar antes do horário, aumenta a quantidade de substâncias no organismo, o que pode ser prejudicial. Ao deixar passar a hora da ingestão do medicamento, o efeito é diminuído.

CAMPANHA

No início do mês, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) lançou uma campanha para o uso racional de medicamentos, com o intuito de conscientizar e alertar a população sobre os riscos, principalmente da automedicação e uso inadequado de medicamentos, que pode levar à intoxicação.

Como iniciativa, a Sesa criou uma carteirinha com informações uteis aos pacientes. No documento, que será distribuído na rede pública e na rede privada, traz o perfil do paciente e registra os medicamentos que devem ser administrados, a periodicidade e o nome do médico ou cirurgião dentista. A carteirinha é uma alternativa principalmente para pessoas que tomam vários medicamentos por dia.

Falta consciência, afirma farmacêutico

Para o farmacêutico apucaranense Márcio Antoniassi, membro do Conselho Regional de Farmácia, a intoxicação por medicamento é resultado da falta de orientação e da conscientização. “É muito comum as pessoas não saberem a dosagem correta nem o horário do medicamento. A diferente entre o remédio e o veneno é a dose”, compara.

Antoniassi comenta que a recomendação do Conselho Regional de Farmácia (CRF) é que todo profissional oriente, em qualquer situação, os pacientes sobre como usar o medicamento, como dose, horário e tempo de administração.

Ainda de acordo com o farmacêutico, além dessas orientações básicas, é preciso ficar atento ao prazo de validade. “Todo medicamento deve ser guardado na caixinha, com a bula e, se possível, anotar para que serve. Além disso, o medicamento vencido não tem seu efeito anulado, o que ocorre é uma desestabilização dos componentes que podem potencializar, diminuir ou neutralizar”, diz.