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A cada dois dias, um motorista é detido por embriaguez ao volante na região

Cindy Santos

| Edição de 30 de agosto de 2022 | Atualizado em 30 de agosto de 2022
Imagem descritiva da notícia A cada dois dias, um motorista é detido por embriaguez ao volante na região

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A cada dois dias, pelo menos um motorista é preso por embriaguez ao volante na região. Levantamento do 10º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Apucarana - que tem uma área de abrangência de 12 municípios -  revela que de janeiro a julho deste ano, 83 pessoas foram flagradas dirigindo sob efeito de bebida alcoólica. O cenário não mudou muito em comparação ao ano passado quando 88 condutores foram presos em flagrante pelo mesmo delito. Somente no mês de agosto – que ainda não terminou - ao menos dez ocorrências do tipo, registradas pela PM na região, foram noticiadas pelo site TNOnline. E a maior parte envolveu acidentes. 

A mais recente foi anteontem em Jandaia do Sul. Segundo boletim de ocorrências da PM, três homens e uma mulher estavam em um Ford Ka circulando pelas ruas da Vila Rica, quando chamaram a atenção de moradores. A PM localizou o veículo e fez a abordagem e, na averiguação, confirmou que o motorista estava bêbado. O condutor foi submetido ao teste de alcoolemia, que apontou teor alcoólico de 0,79 mg/l, o que configura crime de trânsito. Ele foi preso e encaminhado à delegacia. 

Outros dois casos recentes registrados em Apucarana terminaram com as prisões de dois motoristas embriagados que provocaram acidentes no Núcleo João Paulo e no Jardim Ponta Grossa. As situações devem engrossar ainda mais as estatísticas.

Para o diretor-presidente do Instituto de Desenvolvimento, Pesquisa e Planejamento (Idepplan) de Apucarana, Carlos Mendes, os índices de embriaguez ao volante refletem a cultura brasileira de ingerir álcool e dirigir, mesmo sabendo que a legislação veda esse tipo de comportamento por meio da Lei Seca. “Infelizmente, a questão do álcool é muito pontual para o brasileiro. A lei da tolerância zero está aí, e mesmo assim existem as pessoas que dirigem após ingerir álcool. O infrator vai beber, independentemente da lei. Se uma pessoa tem um evento social, ela não vai deixar de consumir álcool porque vai dirigir, infelizmente poucas pessoas têm essa responsabilidade e consciência. Infelizmente isso faz parte da cultura brasileira de não associar muito os riscos”, comenta. 

Mendes alerta que muitas pessoas assumem o risco de dirigir após a ingestão de bebida alcoólica acreditando que a substância não altera seus sentidos. No entanto, mesmo em menor quantidade, o álcool reduz os reflexos e aumenta agressividade. Apenas dois copos de cerveja podem fazer com que o tempo de reação da pessoa caia de 0,75 para 2 segundos. A bebida também afeta o sistema nervoso central, fazendo com que o motorista perca a inibição e o senso de responsabilidade. 

“Quando não é exigido, você não percebe o que o álcool faz com o reflexo. Tomar duas ou três latas de cerveja causa interferência no reflexo. E dirigir é puro reflexo. A visão periférica fica prejudicada e se o motorista tem problema de pressão a visão fica turva. Infelizmente as pessoas culturalmente bebem e saem para dirigir, mas isso é errado, é imprudente”, comenta.


Quantidade de álcool constatada determina crime ou infração

A policial militar do 10º BPM de Apucarana, Gabriella Picanço Xavier, explica que diante da constatação dos sinais de embriaguez, a polícia oferece o teste etilométrico.

Se o condutor aceitar a realizar e a medição indicar entre 0,04mg/l até 0,34mg/l, ele estará cometendo infração administrativa, conforme Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e será autuado no artigo 165 que prevê multa de R$ 2.934,70, terá sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) retida e, se o veículo não apresentar débitos, poderá ser liberado a um condutor habilitado. 

Contudo, se a medição for superior a 0,34mg/l, além da parte administrativa, ele estará incorrendo criminalmente por embriaguez ao volante sendo preso e encaminhado à delegacia. 

“Nestas duas situações o motorista tem sua CNH suspensa por 1 ano e deverá cumprir o período de suspensão e fazer o curso de reciclagem junto ao Detran”, explica.

Se o motorista for reincidente no período de 1 ano, levará mais uma multa que terá seu valor dobrado, além de ter a CNH cassada pelo período de 2 anos. Após esse período, o condutor deverá fazer autoescola novamente como se nunca tivesse tido CNH.