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Abandono escolar preocupa na região

Vanuza Borges

| Edição de 02 de junho de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Mil duzentos e oitenta e seis alunos abandonaram a escola no último ano na região do Núcleo Regional de Educação (NRE), de Apucarana, que abrange 16 municípios. O número corresponde somente a estudantes dos ensinos fundamental e médio. Destes, 74,49% cursavam o ensino médio, ou seja, 958 adolescentes desistiram dos estudos antes de completar o ano letivo. A média de abandono no Ensino Médio no NRE corresponde a 10,83%, 1,29% a mais que em 2014. Já no fundamental, o quadro é bem diferente, 1,98%. Entretanto, a preocupação maior é com os municípios menores. Metade deles está acima da média do NRE.

Imagem ilustrativa da imagem Abandono escolar preocupa na região

Marumbi é o município com maior índice de abandono escolar no Ensino Médio, 28,74%. De 167 alunos matriculados, 48 não concluíram os estudos. Na sequência aparece Faxinal com 15,66%, o que representa que 83 estudantes deixaram os bancos escolares. Borrazópolis também aparece com índice elevado, 15,25%. No município, 43 alunos abandonaram o ensino médio.

Para a chefe do NRE, de Apucarana, Maria Onide Sardinha, o índice historicamente é maior no Ensino Médio e em municípios menores. Entre as causas, ela comenta que nessas localidades é comum que os alunos dessa faixa etária, em busca de oportunidades, migrarem para centros maiores em busca de empregos. Nesses municípios, a época da colheita também influencia no abandono escolar, também afetado pelo acesso as escolas. “Em dias muito chuvosos, os ônibus, em algumas localidades, não conseguem acessar os carreadores”, diz.

No caso doeEnsino médio, Maria Onide observa que muitos alunos já trabalham, o que compromete o rendimento e até comparecimento na escola em alguns dias. “Os motivos que levam os alunos a abandonarem as escolas estão ligados a problemas de ordem econômica e social, sendo a maioria de fora do contexto escolar”, avalia.

A chefe do NRE analisa que fatores psicológicos, como transtornos de aprendizagem, socioculturais, como pobreza, e institucionais, que aborda o currículo pedagógico, também influenciam. Outro agravante, segundo ela, são as faltas. “Depois que o aluno perde o ritmo de aprendizado, ele tem dificuldade para acompanhar a turma e acaba desistindo da escola”, diz. Para ser aprovado, além de notas, o aluno precisa ter 75% de presença. Caso este aluno não retorne no próximo ano à escola, fica caracteriza a evasão escolar.

Para tentar contornar o problema, a professora reforça que o NRE tem investido em capacitação constante dos professores. Ela também pede a colaboração dos pais e responsáveis para que incentive os filhos a não desistirem da escola, porque compromete não só a aprendizagem, mas o desenvolvimento num todo. A partir do próximo ano, os municípios do NRE de Apucarana vão passar a contar com o Sistema Educacional da Rede de Proteção (Serp), o que, segundo Maria Onide, vai contribuir para reduzir a evasão escolar.

Alunos trocam escola pelo trabalho

Dados divulgados pelo Núcleo Regional de Educação mostram que embora seja pequeno, caiu o índice de evasão escolar na regional de Ivaiporã em 2015.

Dos 20.674 alunos matriculados em 2014 nos 14 municípios que fazem parte da área de abrangência da regional, 723 não concluíram o ano letivo, índice de 3,49%. No ano passado, a regional matriculou 22.221, a taxa de desistência dos alunos foi de 3,29% com 732 alunos deixando os bancos escolares. Os números, entretanto, envolvem o ensino fundamental e médio.

Em seis municípios houve redução na evasão escolar, outros seis tiveram aumento e dois permaneceram com o mesmo índice de 2014. O líder no ranking dos municípios foi Candido de Abreu, que passou de 96 em 2014 para 167 desistentes no ano passado.

Sandra Manesco Fellipe, coordenadora da equipe de ensino da regional, relata que o maior abandono acontece entre alunos adolescentes do sexo masculino. “Boa parte desses alunos abandonam a escola para trabalhar”. (IVAN MALDONADO)