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Acidentes de trabalho aumentam 23% no semestre na região de Apucarana

Vanuza Borges

| Edição de 09 de agosto de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A queda de uma escada foi a causa da morte do pintor Natalino Gonçalves de Araújo, de 48 anos, em março deste ano. O acidente de trabalho aconteceu enquanto ele fazia uma pintura na fachada de uma vidraçaria na Rua Padre Severino Ceruti, em Apucarana. Araújo é um dos três trabalhadores que morreram durante o horário de trabalho neste ano somente em Apucarana. Segundo a Agência da Previdência Social de Apucarana, que atende 16 municípios, a quantidade de benefícios concedidos de auxílio-doença decorrente de acidente de trabalho e pensão por morte, também por acidente de trabalho, aumentou 23% no primeiro semestre de 2016 em comparação ao mesmo período de 2015.

De janeiro a junho deste ano, a agência concedeu 482 benefícios, o que corresponde que três trabalhadores foram afastados por dia. O número representa 91 situações a mais que no ano passado. Os trabalhadores encaminhados à Previdência Social são somente aqueles que, em razão do acidente de trabalho, ficaram afastado mais de 15 dias. Quando o atestado é menor que este período, o usuário não precisa fazer o pedido do auxílio-doença, uma vez que os dias afastados são pagos pela a empresa.

Dados da 16ª Regional de Saúde (RS), de Apucarana, apontam que nos primeiros seis meses de 2016 foram 76 acidentes graves de trabalho e três óbitos. Entre as causas de morte são uma queda de altura e duas de motos. No último caso, as vítimas estavam a serviço da empresa. No ano passado, no mesmo período, foram quatro óbitos, sendo duas quedas de moto, um traumatismo craniano, e 59 acidentes graves. O levantamento revela um aumento de 28% nos casos de acidentes graves em Apucarana.

Ainda de acordo com o balanço da 16ª RS, fevereiro foi o mês que registrou o maior número de acidentes, 18 no total. E janeiro foi o com menor número de ocorrências, 5. No ano passado, fevereiro também apresentou o maior registro de acidentes, com 20 situações, e janeiro manteve o menor índice, com 5 notificações.

Diante do avanço de casos de acidente de trabalho, o chefe da Agência do Ministério do Trabalho, Anacleto Romagnoli Filho, de Apucarana, observa a importância de seguir as normas de segurança recomendadas para cada setor e também a a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), que é obrigatória para empresas com mais de 20 funcionários. “Os trabalhadores devem seguir sempre as normas de segurança, mesmo que tenham experiência, e a empresa deve zelar por seus funcionários”, exemplifica.

Romagnoli avalia que no caso do acidente todos os envolvidos saem perdendo. “O funcionário, que pode perder alguma habilidade física, a empresa, que perde um funcionário, e a união, que libera o auxílio”, comenta.

Queda em Arapongas

Na contramão da região de Apucarana, a agência da Previdência Social de Arapongas, que atende também Sabáudia, registrou uma redução de 9% na liberação de auxílio-doença por causa de acidente de trabalho e pensão por morte. No ano passado, de janeiro a junho, foram 203 benefícios, já neste ano, no mesmo período, foram 274, uma diferença de 28 benefícios.

Segundo dados da 16ª Regional de Saúde (RS), de Apucarana, no primeiro semestre desde ano ocorreram nos dois municípios 32 acidentes graves e nenhum óbito. De janeiro a junho de 2015, 33 trabalhadores sofreram acidentes considerados graves, e nenhum óbito também. Neste ano, o número de notificações por mês variou de quatro a seis. Já no ano passado, março apresentou 15 situações, a maior registrada no semestre.