De janeiro de 2013 a dezembro de 2015, 112 pessoas perderam a vida vítimas de acidente de trânsito em Apucarana. Os números são do Ministério da Saúde, que reúne dados de atendimentos prestados pelo Samu e pelo Corpo de Bombeiros e foram divulgados pela Autarquia Municipal de Saúde (AMS). O órgão destaca que o prejuízo de um acidente não é apenas dos envolvidos, já que a sociedade paga pelos atendimentos médicos realizados, através dos impostos. Para se ter uma ideia do impacto dos acidentes na rede de saúde, 44% das mortes registradas ocorreram em hospitais.
O diretor-presidente da AMS de Apucarana, Roberto Kaneta, deve apresentar uma proposta de atuação multissetorial de conscientização a condutores. “No período apresentado, foram atendidas 2.169 pessoas feridas em 1.632 acidentes. Foram 63 vítimas fatais, ou seja, no local da ocorrência, enquanto outras 49 não resistiram aos ferimentos e morreram em hospitais. Um resultado alarmante”, diz.
Dependendo da complexidade do caso, o paciente pode permanecer de uma semana até meses internado na unidade hospitalar. A partir da alta, o paciente pode precisar de fisioterapia e tratamentos complementares. “Sobre os custos de recuperação das vítimas de acidentes, não é possível informar, pois depende da complexidade de cada caso e do tempo de internação, além das ações complementares necessárias e medicação”, diz Kaneta.
Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), mostra que, em 2014, os cerca de 170 mil acidentes de trânsito ocorridos nas rodovias federais brasileiras geraram um custo para a sociedade de R$ 12,3 bilhões. Em torno de 64% do custo total estavam associados às vítimas dos acidentes, como cuidados com a saúde e perda de produção devido às lesões ou morte. Já 36% estavam associados aos veículos, como danos materiais e perda de cargas, além dos procedimentos de remoção dos veículos acidentados.
Clara Ilza Lemes de Oliveira, chefe da 16ª Regional de Saúde (RS) de Apucarana, afirma que a região é uma das maiores no Paraná em números de acidentes. “Isso gera um impacto bastante grande no sistema se saúde, já que boa parte dos acidentes gera um custo elevado com atendimento, cirurgia, leitos de UTI, procedimentos de alta complexidade e até mesmo transporte aéreo”.
Segundo ela, falta conscientização no trânsito. “Em muitas ocasiões, os acidentes poderiam ser evitados. Muitos ainda abusam da velocidade, dirigem sob efeito do álcool, são imprudentes e não têm consciência do risco que correm e do risco que colocam os outros. Precisamos focar em ações e medidas educacionais e punitivas, com objetivo de reduzir os acidentes”, ressalta.