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Agricultores começam a contar prejuízos causados pela geada

Renan Vallim

| Edição de 14 de junho de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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As geadas registradas na região em dois dias seguidos durante este final de semana já provocam prejuízo entre os agricultores. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), as lavouras de banana, em Novo Itacolomi, e o milho, em Kaloré, foram as mais afetadas, bem como as hortaliças e as pastagens de toda a região.

Imagem ilustrativa da imagem Agricultores começam a contar prejuízos causados pela geada

As geadas, consideradas de média intensidade, aconteceram nas manhãs de domingo (12) e ontem. De acordo com Adriano Nunomura, técnico do Deral, os danos ainda estão sendo levantados. “Em Novo Itacolomi, que tem a economia agrícola baseada no cultivo da banana, algumas lavouras já estavam tendo problemas com doenças causadas pelo excesso de chuva e agora foram atingidas pelas geadas. Isso deve ocasionar perdas principalmente nos cachos mais novos e nas plantas desfolhadas”, ressalta.

João Rodrigues Filho é presidente da Cooperativa dos Agricultores Familiares de Novo Itacolomi (COFAI), que é 90% formada por agricultores de banana. Segundo ele, os maiores estragos foram registrados nas áreas mais baixas das propriedades. “A geada não foi tão forte quanto a registrada em 2012, mas acredito que, mesmo assim, as perdas serão significativas. Ainda é cedo para dizer ao certo a extensão dos prejuízos, porque os impactos da geada não aparecem imediatamente. Acredito que em cerca de cinco dias, será possível ter uma noção mais exata”, ressalta.

O trigo, principal cultura da região nesta época do ano, não foi afetado por estar ainda em fase de plantio. Na cafeicultura, prejuízos foram pouco registrados.

HORTALIÇAS

O técnico do Deral, Adriano Nunomura, assinala ainda que as plantações de hortaliças, que já haviam sido afetadas pelas chuvas ao longo das últimas semanas, agora foram atingidas pela geada. “Devido ao excesso de chuvas nas últimas semanas, não havia muitas hortaliças plantadas a céu aberto. No entanto, temos informações de perdas mesmo dentro de estufas. Houve prejuízos em toda a região”.

Roberto Mauro da Luz, horticultor de Apucarana, perdeu 100% da sua plantação de alfaces a céu aberto. “Amanhã [hoje] terei que passar o trator em tudo, arrancar todos os pés e começar do zero novamente. Nenhum dos 8 mil pés de alface conseguiu escapar. Calculo um prejuízo de mais de R$ 10 mil”, diz.

As perdas se estenderam também para as estufas. “Passei a madrugada de domingo para segunda-feira em claro, tentando salvar as estufas de tomate. Mesmo assim, algumas folhas deram uma queimada”, afirma Roberto.

De acordo com o Instituto Simepar, a previsão para as primeiras horas da manhã de hoje é de geada de fraca intensidade na região. Para amanhã, o frio perde força na região Norte e geadas não devem acontecer. Mas, nos municípios ao sul de Apucarana, o fenômeno é esperado por mais um dia.

Produtor perdeu R$ 500 mil

De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), órgão vinculado à Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (SEAB), estima-se que em torno de 75% das lavouras de milho encontram-se em frutificação, fase suscetível a perdas por geadas tanto na qualidade quanto no rendimento. O restante, em fase de maturação, não registrou danos.

Kaloré foi o município com mais perdas na região. “Chegamos a registrar a temperatura de -3º. Está todo mundo em clima de incerteza, porque os prejuízos são certos, mas não se sabe ainda o tamanho”, afirma o secretário de Agricultura do município, Eusébio Deltrejo.

A situação desanima o produtor, que já havia tido perdas com o soja devido ao excesso de chuvas. A esperança era de conseguir aproveitar os bons preços atuais do milho, cultura plantada no período entre as safras de soja, para reaver os prejuízos.

A estimativa do produtor João Graneiro, de Kaloré, é de que 50% da lavoura da propriedade, que tem 130 alqueires, foi perdida. “Meu prejuízo deve ficar em até R$ 500 mil. Terei que começar a plantação toda do zero novamente”, diz.