Estudantes do Colégio Nilo Cairo, de Apucarana, protestaram ontem pela manhã contra a reforma do ensino médio, anunciada pelo governo federal em medida provisória. Cerca de 800 alunos participaram do ato. Eles seguiram em passeata do colégio até o platô da Praça Rui Barbosa. A manifestação foi organizada pelo Grêmio Estudantil do Colégio Nilo Cairo, com apoio da APP-Sindicato.
Desde que foi anunciada, a reforma é alvo de críticas. A medida provisória prevê que somente as disciplinas de português, matemática e inglês serão obrigatórias. Filosofia, sociologia, artes e educação Física, que foram retiradas num primeiro momento, serão ainda analisadas pelo Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e podem perder espaço.
Para entender melhor a medida provisória, alunos do ensino médio assistiram palestras ministradas por integrantes do APP. “Foi interessante para que os estudantes percebam o quanto é importante ter essas disciplinas na grade escolar e também para entender melhor o que está acontecendo”, diz Bruno Gurgell, presidente do Grêmio Estudantil do Nilo Cairo.
Ele reconhece que o ensino médio precisa de mudanças. No entanto, afirma que eliminar disciplinas não é a melhor solução. “Precisamos ter acesso ao conhecimento. Matérias como filosofia e sociologia, por exemplo, são essenciais para a bagagem dos alunos, que futuramente vão prestar vestibular e fazer provas do Enem”, reforça.
A manifestação contou com o apoio do APP-Sindicato, que foi representado na ocasião pelo professor de História, Edmilson Rodrigues da Silva. Além de protestar contra a reforma no ensino médio, ele diz que os educadores também buscam soluções para outras medidas, como PEC 241, que visa congelar investimentos em saúde e educação por vinte anos, e a PLP 257, que prevê congelamento de salários e desligamento voluntário de servidores. (FERNANDA NEME)