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Andorinhas ‘migram’ para Praça Rui Barbosa

Adriana Savicki

| Edição de 04 de maio de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Depois de criar polêmica e tomar conta da Praça Interventor Manoel Ribas, as andorinhas encontraram uma nova morada. Nas últimas semanas, as aves que vivem parte do ano na cidade, se alimentando nos campos, mas usando a área central como dormitório, se transferiram para o entorno da Praça Rui Barbosa. 

Imagem ilustrativa da imagem Andorinhas ‘migram’ para Praça Rui Barbosa


No final da tarde, o espetáculo das aves encanta quem passa, mas também traz uma série de transtornos já conhecidos. As aves deixam muita sujeira nas calçadas e carros estacionados. Com concentração maior na área do estacionamento da Catedral Nossa Senhora de Lourdes e na Praça Valmor Giavarina, a praça da Cascata, as andorinhas viraram motivo de reclamação para comerciantes das proximidades, principalmente os da área de alimentação.
Dono de um restaurante instalado na praça, Celso Tamura, destaca que as andorinhas começaram a surgir há cerca de três semanas. Nos últimos dias, entretanto, a quantidade de aves foi aumentando. “Está complicado, é muito mau cheiro e, claro, isso não ajuda o nosso negócio”, comenta o empresário. “Isso começou depois que eles mexeram na Praça do Redondo, mas aqui é muito mais complicado de resolver o problema que lá, essa praça tem muito mais movimento”, analisa. Em setembro do ano passado, após grande pressão dos comerciantes do entorno da Praça do Redondo e em uma tentativa de restringir o acesso das aves, a prefeitura erradicou oito árvores e fez podas radicais em espécies exóticas. 

Para tentar evitar a invasão das aves, Tamura instalou uma série de fitas metálicas coloridas nas árvores próximas ao seu estabelecimento. Segundo ele, a estratégia deu resultado em partes.
Leandro Pinheiro, proprietário de outra lanchonete instalada na praça, não teve o mesmo sucesso em espantar as aves que se instalaram nas árvores mais próximas do seu estabelecimento. Nesta semana, o excesso de andorinhas foi tamanho que um galho de grande porte rachou e caiu. “Foi um caos, sorte que não tinha ninguém passando embaixo. Está complicado”, comenta. Segundo ele, por conta da sujeira deixada pelos pássaros, ele tem colocado funcionários para lavar diariamente as calçadas da praça. “Estou pensando em alternativas, colocar fitas nas árvores ou redes, mas alguma coisa precisa ser feita”, destaca. 

CONVIVÊNCIA
O secretário de Meio Ambiente de Apucarana, Sérgio Bobig afirma que a prefeitura está ciente do problema, mas que as medidas a serem tomadas são apenas paliativas. “Vamos autorizar a poda de galhos dessa árvore que o galho quebrou e vamos providenciar a limpeza da calçada, mas não há muito mais o que fazer, temos que conviver e tentar amenizar”, afirma. 
Ele frisa que a prefeitura não vai autorizar erradicação de árvores como solução para o problema das andorinhas. “Se fizermos isso, vamos simplesmente espalhar o problema. É um fenômeno da natureza, é complicado controlar isso”, comenta. Segundo o secretário, a prefeitura vai testar a aplicação de um produto orgânico utilizado para cortar o odor das fezes dos pássaros. Contudo, a secretaria está com dificuldade em encomendar o produto para fase de testes. 

Equilíbrio 
de pragas
Segundo o biólogo Marcelo Arasaki, que trabalha com ecologia de aves e mamíferos na ONG Meio Ambiente Equilibrado, em Londrina, o controle do processo migratório das andorinhas é muito improvável. 
“Apucarana possui uma paisagem montanhosa e relevo muito ondulado. Assim, as andorinhas aproveitam as correntes de ar que sobem no verão e fazem da cidade um excelente local para a reprodução, alimentação e estadia”, explica. 
Quando inicia o inverno, de acordo com Marcelo, elas tendem a migrar para locais com clima mais quente. Ele destaca que as aves desenvolvem um importante papel no equilíbrio de pragas, uma vez que se alimentam de insetos tanto na lavoura quanto na área urbana.
Sobre a troca de praças, o biólogo diz que como as andorinhas estão presentes todos os anos na região, elas provavelmente possuem rota de migração nesses pontos. “As árvores são os dormitórios delas e neste caso, quando são suprimidas, não resolvem o problema da limpeza. Somente transportam o problema para mais locais onde elas irão se concentrar de novo”, ressalta.
As andorinhas já ocuparam, no passado, o entorno da Praça Rui Barbosa. Elas migraram para a Praça do Redondo depois da reforma finalizada em 2014, que inclui corte de árvores. (FERNANDA NEME)