Desde a semana passada, a Global Serviços Geofísicos, empresa contratada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) está monitorando o subsolo de municípios do Vale do Ivaí. Os caminhões dotados de sismógrafos estão coletando imagens em uma pesquisa que estuda a viabilidade de exploração de petróleo e gás. O estudo, ainda em fase inicial, já repercute na região.
O levantamento é feito com sistema de pesquisa sísmica de reflexão, que usa caminhões com equipamentos de emissão de sinais (ver infográfico). Em 2015, a Global venceu grandes licitações promovidas pela ANP para os levantamentos. Além da Bacia Sedimentar do Paraná, que abrange 177 municípios do Paraná - incluindo todo o Vale do Ivaí - e 90 de São Paulo, a pesquisa envolve ainda a Bacia do Parecis, nos estados de Mato Grosso e Rondônia.
Os caminhões utilizados na pesquisa possuem vibradores que emitem ondas sonoras em pontos predeterminados ao longo das rodovias estaduais, federais e municipais envolvidas na locação do projeto. Na semana passada, vários caminhões foram vistos transitando na PR-082, próximo a São João do Ivaí. Nesta semana, os caminhões vibradores realizavam serviços na rodovia PR-466, próximo ao Posto Rodoviário do Porto Ubá e na localidade de Água Doce, zona rural de Borrazópolis.
De acordo com nota divulgada a imprensa pela ANP, o levantamento faz parte do Plano Plurianual de Estudos de Geologia e Geofísica, que é um programa de aquisição sistemática de dados para aumentar o conhecimento das bacias sedimentares de nova fronteira. “A pesquisa possibilita avaliar se a configuração é ou não adequada para a geração e acumulação de petróleo ou de gás natural”, diz a nota.
Após a conclusão do projeto, os dados serão publicados e estarão disponíveis para consulta no Banco de Dados de Exploração e Petróleo (BDEP).
O diretor da Global Serviços Geofísicos, Guilherme Castilho, comenta que cerca de 300 técnicos atuam no estudo. A previsão é que a primeira parte da coleta de dados vá até setembro. Uma segunda etapa está prevista e deve durar mais dois meses. Ele explica que os sismógrafos - também usados para detectar movimentos no solo, inclusive os gerados pelos terremotos - têm acesso a grandes profundidades. “Este aparelho “enxerga” muito mais fundo, mas com menos precisão do que tomógrafo”, exemplifica. Por conta disso, as imagens obtidas vão mostrar pontos onde há possibilidade de se encontrar petróleo, a confirma;áo, entretanto depende de perfuração. (COLABOROU FERNANDA NEME)
Pesquisa repercute na região
A possibilidade de que o Vale do Ivaí esteja sobre jazidas de petróleo causa expectativa e curiosidade. O prefeito de Lidianópolis Celso Antônio Barbosa, o Magrelo, comenta que na semana passada recebeu visita de representantes da Global Serviços Geofísicos. “Eles só nos informaram que estariam fazendo o levantamento às margens da rodovia sobre gás e petróleo, não nos deram grandes detalhes. Também acompanhado da Polícia Rodoviária e da PM assinamos um termo dando ciência da passagem deles por aqui”, relata o prefeito.
Magrelo diz ainda que é a primeira vez que esse tipo de levantamento é realizado na região. “A gente sabe que encontrar reservas de petróleo ou gás é cada vez mais difícil. Mas caso fosse encontrado alguma reserva por aqui mudaria para melhor a economia do Vale do Ivaí”, completa Magrelo.
O prefeito de Borrazópolis, Adilson Lucchetti, o popular “Didi”, comenta que a empresa o procurou por duas vezes, uma anteontem. “Este projeto envolve uma série de municípios e a empresa nos comunicou que passaria por Borrazópolis, mas, em nenhum momento, afirmou a existência de petróleo ou gás natural aqui”, esclarece.
Entretanto, o prefeito reconhece que a existência de gás natural ou petróleo alavancaria a economia local. “Seria uma boa alternativa para o desenvolvimento econômico do município”, avalia. (COLABOROU VANUZA BORGES)