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Após acordo com IAP, frigorífico retoma abates

Renan Vallim

| Edição de 01 de setembro de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Após ter a licença ambiental suspensa, o Frigorífico União, de Apucarana, retomou as atividades através de um acordo junto ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Ministério Público (MP). Com investimentos na ordem de R$ 600 mil, a empresa afirma ter sanado os problemas no tratamento de efluentes e planeja retomar em breve o funcionamento da unidade em sua capacidade máxima.

Imagem ilustrativa da imagem Após acordo com IAP, frigorífico retoma abates


O frigorífico foi reaberto há pouco menos de dois meses, em regime parcial de funcionamento, após apresentar um projeto de tratamento de efluentes para IAP e MP. Os órgãos deram à empresa um prazo de quatro meses, terminando em novembro, para comprovar que o tratamento de efluentes está sendo realizado dentro dos parâmetros exigidos pela lei. Enquanto isso, o abate diário, que era de 400 bovinos, foi reduzido para cerca de 160.
O médico veterinário Gustavo Henrique Sapatini é diretor do frigorífico e afirma que a empresa já conseguiu atingir a meta proposta pelo acordo. “Vamos nos reunir com os órgãos ambientais na segunda-feira (3) e apresentar os resultados. Estamos bastante animados, porque cumprimos com todas as exigências propostas e chegamos a resultados bem melhores do que os mínimos recomendados”, afirma.
Com isso, a expectativa é de retomar o regime normal de abates antes do fim do prazo. Hoje, o frigorífico tem 126 funcionários contratados. Quando o número máximo de abates diários for retomado, o quadro de funcionários poderá ser ampliado para cerca de 300 trabalhadores.
Gustavo explica que o projeto ambiental traçado pela empresa exigiu um investimento de R$ 600 mil para instalação e R$ 120 mil mensais para manutenção e compra de insumos. “Foi construído um sistema de tratamento muito semelhante ao de tratamento de esgoto da Sanepar, que funciona praticamente como uma segunda empresa dentro do frigorífico. O efluente tratado, praticamente água potável, não está sendo lançado no rio por enquanto, mas sim levado para outra empresa”.
Coletas são realizadas quinzenalmente e enviadas para um laboratório credenciado. Um relatório mensal é elaborado e apresentado aos órgãos ambientais. Os níveis apresentados são de menos da metade do limite máximo exigido. O mau cheiro na região também foi eliminado, graças ao investimento em um sistema que libera substâncias no ar. Estas substâncias reagem com os gases liberados e eliminam o cheiro ruim.
“Abrimos um canal direto com a comunidade da região e estamos de portas abertas a eles. O frigorífico existe desde 1969 e a cidade foi crescendo neste tempo, chegando até os muros da empresa. Com isso, o mau cheiro se tornou um problema para os moradores e nós temos a consciência da nossa obrigação em manter o meio ambiente limpo”, aponta o diretor.

Empresa quer ampliar produção e mira mercado externo
O Frigorífico União iniciou os abates em janeiro deste ano no Parque Bela Vista, na planta onde já funcionaram outros abatedouros e que estava desativada desde 2016, após o encerramento das atividades do frigorífico Orion. No final de fevereiro, o IAP suspendeu a licença ambiental da empresa, após o rompimento de uma lagoa de contenção. Após mais de um mês sem realizar abates, os funcionários foram demitidos.
Com os abates sendo retomados no início de julho e o tratamento de efluentes apresentando resultados satisfatórios, o frigorífico já pensa em ampliar o horizonte de atuação. Através da marca FrigoMendes, a carne embalada em Apucarana vai para todo o país. A empresa mira agora no mercado exterior. “Já exportamos os miúdos, mas queremos exportar também a carne embalada. Já estamos fazendo os procedimentos de liberação e, caso consigamos, iremos contratar ainda mais funcionários, gerando emprego para a cidade”, afirma o diretor Gustavo Sapatini.
O secretário municipal de Indústria e Comércio, Edison Estrope, avalia como positiva a retomada dos trabalhos do frigorífico. “Atendendo a todas as exigências do IAP e do Ministério Público, acreditamos que este investimento é muito bem-vindo para a cidade, trazendo emprego e renda para a população”.