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Apucaranenses defendem impeachment

Edson Costa

| Edição de 17 de abril de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A população brasileira aguarda com ansiedade a votação do pedido de impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff (PT), que acontece neste domingo à tarde na Câmara dos Deputados.

Há mais de um ano muitos brasileiros têm saído às ruas com gritos de “Fora Dilma” e “Fora PT”, inconformados com a corrupção desenfreada que se instalou no País e com a crise política e econômica que se arrasta desde início deste segundo mandato da presidente Dilma.

Para muitos, a expectativa é que o impeachment da presidente seja aprovado tanto na Câmara como no Senado e o País volte à normalidade com um novo governo de coalizão. Para outros, se houver afastamento da governante, trata-se de um golpe, sob a alegação de que a mandatária não cometeu crime de responsabilidade que possa levar à sua destituição do poder.

A Tribuna ouviu algumas lideranças de Apucarana sobre o processo de impeachment. E a opinião geral é que o afastamento da presidente é o melhor caminho para o País sair desta situação de crise política e econômica.

O presidente da Subseção de Apucarana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Carlos Antônio Stoppa, assinala que a presidente Dilma Rousseff cometeu, sim, crime de responsabilidade, porque usou dinheiro do orçamento de forma ilegal, sem aprovação do Congresso. Por isso ele acredita que o seu impeachment será aprovado pelos deputados. E é nisso que se baseia também uma outra ação impetrada pela OAB Nacional, ou seja, “as pedaladas”, que é uma prática ilícita. Ele observa que a OAB nem leva em conta as conversas telefônicas entre Dilma e o ex-presidente Lula, interceptadas pela Polícia Federal, que também comprometem ambos.

“Nós acreditamos o impeachment da presidente Dilma deva passar no Congresso. Primeiro porque esta é a vontade popular. Segundo porque houve uma prática ilícita. E terceiro porque hoje a presidente já não tem mais condições de governar o País”, avalia Stoppa.

CREDIBILIDADE

Para o advogado apucaranense, o impeachment da Dilma é a única maneira de o País retomar a sua credibilidade internacional, do empresariado e de toda a classe produtiva.

Carlos Stoppa não vê problemas do o vice-presidente Michel Temer (PMDB) assumir o poder no caso de afastamento de Dilma. “Acredito que o Temer tem mais condições de governabilidade para tentar resolver os problemas do País”, avalia.

Movimento confia na aprovação do pedido

O grupo “Cristãos pelo Brasil”, que tem comandado protestos “Fora Dilma” e “Fora PT” em Apucarana, está confiante que a Câmara dos Deputados vai aprovar hoje o parecer favorável ao impeachment de Dilma. Segundo o presidente do grupo, Fernando Felipetto, essa é a expectativa do povo brasileiro e a única maneira de o Brasil conseguir superar essa crise política e econômica.

Além disso, segundo ele, há pressão popular em cima dos deputados pela aprovação do impeachment. Ele observa que os parlamentares estão recebendo, inclusive, mensagens de advertência pelas redes sociais do tipo “se votar contra o impeachment sua carreira política acabou”, porque as redes sociais vão escrachar esses parlamentares.

NA EXPECTATIVA

Felipetto tem acompanhado as pesquisas de intenção de voto dos deputados e até sexta-feira o placar era favorável ao impeachment. Apesar disso, conforme assinala, não dá para cantar a vitória antes, porque tudo pode acontecer.

Para Felipetto, ocorrendo o impeachment, não importa quem vai assumir o governo. “Com a saída da Dilma e do PT do poder o mercado já reage positivamente e a iniciativa privada que está respirando por aparelhos pode voltar à normalidade”, diz. “Acredito que o governo de Michel Temer não será tão populista e corrupto como este”, diz. (E.C.)

Para empresário, mudança é necessária

Para o presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Apucarana (Acia), Júnior Cezar Serea, a expectativa dos comerciantes e do empresariado de modo geral é que seja confirmado pelo Congresso o impeachment da presidente Dilma. Isso porque o processo de impedimento tem base jurídica, além do que há constatação de piora da qualidade de vida dos brasileiros. Ele observa que a presidente infringiu a Lei de Responsabilidade Fiscal com “as pedaladas fiscais” praticadas no orçamento da União.

“As ruas estão pedindo para que haja mudança no comando deste País, embora de imediato não seja a mudança tão desejada pelos brasileiros. O que é preciso é uma mudança nos rumos do Brasil”, frisa o empresário.

Para Serea, além da mudança de comando do País, é necessário que se façam reformas que possam dar um novo rumo à economia e à vida social das pessoas. E uma dessas reformas tem que ser a reforma política. Ele observa que há correntes que defendem, por exemplo, uma constituinte com representação popular para fazer essa reforma e considera isso uma saída. “Hoje, a crise de representatividade no Congresso é muito grande e isso acontece principalmente por causa das coligações partidárias, que impedem determinados candidatos de se elegerem”, afirma. (E.C.)

Petista não vê crime praticado por Dilma

A vereadora apucaranense Aurita Bertoli (PT), assim como demais petistas, não vê motivo para se pedir o impeachment da presidente Dilma. Segundo ela, o impeachment está previsto na Constituição Federal e é legal, porém só pode ser requerido quando o governante comete crime de responsabilidade. “A presidente Dilma não cometeu crime algum e, se não há crime, é golpe”, afirma Aurita. A vereadora observa que a única acusação que se tem contra a presidente são as chamadas pedaladas fiscais. “Mas isso todos os governos têm feito também, inclusive o governador Beto Richa”, cita. Aurita assinala que, ao se manifestarem contra este processo de impeachment em trâmite no Congresso, o que os movimentos sociais e a Frente Brasil Popular discutem não é nem a saída da presidente Dilma. “O que estamos discutindo é o atentado contra a democracia. É o atentado contra quem não cometeu crime algum, contra quem ganhou o governo com mais de 50 milhões de votos”, declara. (E.C.)