A Prefeitura de Arapongas está finalizando a elaboração do termo de referência que irá basear a licitação de concessão do manejo do lixo domiciliar da cidade. A administração municipal quer implementar uma usina de resíduos sólidos de última geração, que reduz o impacto ambiental a quase zero. Atualmente, nenhum município do país conta com a tecnologia.
O problema do lixo doméstico em Arapongas é “um pesadelo”, como avalia o secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Gonzaga Pereira. “Nosso aterro sanitário tem vida útil estimada em mais um ano e meio ou dois, no máximo. Precisamos urgentemente de uma solução. Mas não é fácil: Arapongas está entre as bacias do Rio Tibagi e do Rio Pirapó. Com isso, se torna muito complicado encontrar um novo espaço que seja adequado do ponto de vista ambiental e distante pelo menos 10 quilômetros do período urbano determinado em lei”.
Assim, a prefeitura achou uma saída tecnológica para o problema. A usina de resíduos sólidos, prevista para o próximo contrato de manejo do lixo doméstico, utiliza um sistema chamado pirólise. Sem utilizar a queima de qualquer substância, este sistema submete o lixo a temperaturas de até 600 graus, provocando uma reação química. O resultado desta reação gera uma mistura de carvão e fertilizante (sólido), biodiesel (líquido) e gás. Este último é utilizado para gerar energia elétrica.
“É uma alternativa limpa, que resolveria os nossos problemas. A usina não tem nem chaminé, não há resíduos ou impacto ambiental. Além disso, podemos construí-la no próprio terreno do atual aterro. Todo o lixo orgânico poderá ser enviado à usina, bem como madeira, galhos e pneus, podendo gerar créditos de carbono para o município, redução na conta de energia elétrica, entre outras vantagens”, afirma o secretário.
Hoje, apenas a iniciativa privada utiliza este nível de tecnologia no país. Na área pública, há uma usina sendo construída em Boa Esperança (MG), mas que ainda não entrou em funcionamento. Já Bento Gonçalves (RS) publicou edital para viabilizar a obra. Por se tratar de algo praticamente inédito no Brasil, o termo de referência levou cerca de um ano para ser desenvolvido em Arapongas.
O prazo de concessão do manejo dos resíduos sólidos urbanos na cidade deverá ser de 30 anos. A empresa vencedora terá até um ano e meio para construir a usina e de 10 a 15 anos para fazer a recuperação ambiental do aterro sanitário. A expectativa é de que o edital seja publicado no primeiro semestre de 2019.
A usina de resíduos não receberá agrotóxicos, lixo eletrônico, lâmpadas, restos de construção civil e materiais recicláveis.
O município produz, em média, 1,5 mil toneladas de lixo por mês. Desde 2002, o aterro sanitário é gerido pela empresa Sanetran, que recebe em torno de R$ 2 milhões anuais para realizar o serviço. A coleta do material também é responsabilidade da empresa, mas é regulada por outro contrato.
Já recebemos algumas empresas interessadas, que visitaram a cidade e disseram ser algo totalmente viável. Estamos bastante animados. O lixo é um problema sério, que não pode ser tratado de forma amadora”, conclui Pereira.