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Araponguenses se preparam para receber a chama Olímpica

Vanuza Borges

| Edição de 26 de junho de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Vinte e um araponguenses vão ter uma oportunidade única na próxima quarta-feira: conduzir a Tocha Olímpica Rio 2016 pelas principais ruas da cidade. Arapongas está na rota entre as mais de 300 cidades brasileiras, para receber a Chama Olímpica, símbolo de paz e união entre os povos. A Tocha Olímpica vai chegar pontualmente às 8 horas, em frente à Igreja Santo Antônio, na Avenida Maracanã, que será conduzida pela Avenida Arapongas até a Igreja Matriz, onde permanecerá por 15 minutos, ponto alto do evento. Depois segue pelas vias centrais e, pontualmente, às 9h18, em frente à Igreja Santíssima Trindade, segue para Maringá. (Veja trajeto completa no mapa ao lado)

Imagem ilustrativa da imagem Araponguenses se preparam  para receber a chama Olímpica

Assim como os outros 12 mil condutores brasileiros, os escolhidos para percorrer durante 1h18 minutos, o trajeto de 4,2 km, com a Chama Olímpica, em Arapongas, são pessoas que fazem a diferença, seja no esporte ou em suas comunidades, e também encontraram em suas modalidades uma maneira de fazer diferente e superar limites, tanto físicos quanto mentais. Entre os 21 revezadores estão a atleta de badminton Giovana Romão Antônio, 19 anos, o ciclista Rafael Paterro Rosa, 18, e o professor de educação Física Levi Aparecido Xavier, 41.

Realização e ansiedade são os sentimentos que sobressaem entre os revezadores, mas cada um tem um relacionamento singular com o esporte. Por exemplo, Giovanna encontrou no badminton um meio para superar um momento trágico em sua vida, a morte do pai quanto ela tinha apenas oito anos. “Depois desse episódio, eu me apoiei no esporte e consegui superar essa dor. Depois de um tempo, conheci o badminton, que é uma modalidade olímpica e, desde então, não parei mais”, afirma.

Quando pensa na próxima quarta-feira, Giovana revela que: “Não sei se sinto alegria ou ansiedade. É uma mistura de sentimentos por participar de um momento único. Não só da cidade, mas do Brasil”, avalia. Conduzir a Chama Olímpica é uma maneira de realizar um sonho de atleta. “Era um sonho participar das Olímpiadas”, diz.

Giovana garante que não desistiu do sonho olímpico. “De repente como treinadora”, revela. Ela, que está no quarto semestre de Educação Física e trabalha como treinadora da modalidade no Sesi, local onde conheceu o esporte através do projeto Raquetada Olímpica. “Apesar de ser o segundo esporte mais praticado no mundo, aqui é praticamente desconhecido e estamos lutando para não deixar acabar”, diz.

HISTÓRICO

Para o secretário municipal de Esportes, Ricardo Gonçalves, a passagem da Tocha Olímpica é um momento histórico. “E Arapongas está fazendo parte deste momento e, por uma hora, ficará em evidência no mundo inteiro, gerando mídia espontânea sobre a cidade”, diz.

O secretário reforça que o evento não tem custos, uma vez que são pagos pelos patrocinadores oficiais das Olimpíadas. “Não tem custo. Estamos investindo R$ 10 mil em sonorização, colocação de grades no local de evento”, diz.

Ao que tange a segurança do evento, a Força Nacional vai fazer a segurança dos revezadores e da Tocha Olímpica. Já a Guarda Municipal ficará responsável pelo trânsito e a Polícia Militar pela segurança do público, que está estimado em 10 mil pessoas. A plataforma de monitoramento da PM será usada no evento.

Homenagem ao

irmão esportista

Para o ciclista Rafael Paterro Rosa, 18 anos, participar do revezamento é simplesmente gratificante. “Trata-se de um momento histórico mundialmente, o que me deixa muito feliz, pois vai ficar marcado na minha história pessoal e profissional”, diz. Assim como os demais revezadores, Rafael teve sua história contada e escolhida pelo público.

O diferencial, ele acredita que é a superação. “Passei por muitas dificuldades para chegar onde cheguei, enfrentei muitos altos e baixos, e perdas. Enfim, cada dia que passa é um desafio diferente e eu preciso superá-los para ser melhor como ciclista e pessoa”, diz.

Entre as perdas, Rafael teve que lidar com a morte do irmão, Gustavo, também ciclista e parceiro de provas, em um acidente de trânsito. “Não só o revezamento, mas tudo que faço, tanto no ciclismo quanto na minha vida pessoal, é em homenagem a ele. Éramos parceiros na vida, parceiros na estrada e nos treinos. Competíamos juntos e a perda dele me deu mais motivos para continuar do que desistir”, revela.

Ele revela que o ciclismo entrou em sua vida através do professor de educação física Marcelo Nagy. “Ele acreditou no meu potencial mesmo eu sendo sedentário na época, e fui evoluindo em cada treino. E o que era apenas por saúde, virou profissão”, confidencia.

Estudantes treinam ‘grito de guerra’

O professor Levi Aparecido Xavier, 41 anos, participa do handebol araponguense deste os 17 anos. Em 25 anos de história com o esporte conquistou o carinho e respeito de muitos alunos, que fizeram questão de inscrever o professor para este momento histórico. Considerado, em uma das cartas enviadas, como exemplo dentro e fora das quadras, são os alunos que vão deixar o revezamento ainda mais especial.

Eles preparam um grito de guerra para acompanhar a Tocha Rio 2016 durante os 200 metros que Levi vai participar. “Eu não sei a sensação que vou ter, mas só de falar o coração já começa a acelerar. É o sonho de todo atleta de participar de uma Olimpíada. E saber que não vamos ter outra oportunidade, torna este momento ainda mais único. Eu quero também representar os meus alunos. Afinal, tudo isso acontece por causa deles”, diz.

Levi, atualmente, treina 180 atletas, entre crianças, adolescentes e adultos. Os treinamentos principais acontecem no Colégio Estadual Emílio de Menezes, que é referência na modalidade em Arapongas. Sobre o que move a fazer seu trabalho, ele revela que é o potencial transformador. “Esporte transforma vidas. No momento que eles estão aqui, não estão pensando em drogas ou em coisas ruins”, diz.

Imagem ilustrativa da imagem Araponguenses se preparam  para receber a chama Olímpica