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Moradores da região estão entre 1,2 mil detidos após o ataque

Fernando Klein

| Edição de 10 de janeiro de 2023 | Atualizado em 10 de janeiro de 2023
Apucaranense tirou uma foto do ginásio onde estão presos: celular está liberado
Apucaranense tirou uma foto do ginásio onde estão presos: celular está liberado

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Moradores da região que seguiram até Brasília estão entre as centenas de detidos já contabilizados após o ataque aos três poderes. Um cabeleireiro de 48 anos de Apucarana é um deles. Ele foi detido nesta segunda-feira (9) após a invasão do Palácio do Planalto, Supremo Tribunal Federal (STF) e Congresso Nacional no último domingo. Ele viajou em um ônibus com 40 passageiros de Apucarana e de outros municípios da região para participar da manifestação, que acabou se transformando em um grande ato de vandalismo na Capital Federal. “Caímos em uma cilada”, diz. 

Ele conversou por telefone com o TNOnline  e também mandou foto e vídeos dos detidos. “Estamos na Academia da Polícia Federal. Todos estão bem. Agora vou entrar na fila para comer, que está quilométrica”, conta. Segundo o cabeleireiro, um grupo está no ginásio da academia e outro na parte externa. É permitido circular pelo complexo da PF. Pelo menos 1,2 mil pessoas que estavam no QG do Exército foram detidas. 

Vários passageiros do ônibus que saiu da região – manifestantes embarcaram em Califórnia, Arapongas e outros municípios - estão no local. “Alguns se dispersaram e a gente não tem informações”, conta. “Estamos sendo bem tratados. Estão servindo refeição agora. Tem macarrão, arroz, salsichão. Eles também estão deixando a gente carregar o celular e falar com a família. Quem precisa de remédio, de medir a pressão, também é atendido”, comenta.

O apucaranense afirma que todos estavam na espera. “Ninguém falou nada ainda. Não prestamos depoimento, não fomos fichados. Não aconteceu nada ainda. Descemos do ônibus de manhã e estamos todos aqui esperando”, disse por volta das 17 horas. 

O morador de Apucarana afirma que é a primeira manifestação que participa em Brasília. Ele também frequentava atos em frente ao quartel do 30º Batalhão de Infantaria Mecanizado (BIMec). O apucaranense lamenta a destruição nos “Três Poderes”. 

“Na verdade, nós caímos numa cilada. A minha intenção era participar de uma manifestação pacífica. Cercar os prédios, mas não invadir. Quando ouvi os barulhos, assustei. Cheguei a entrar para ver a destruição, mas não participei. Foi algo lamentável. Acho que tinha pessoas infiltradas no protesto”, acredita o cabeleireiro que postou vários vídeos em suas redes sociais na tarde de domingo. 

QUARTEL

Os detidos pela manhã não fazem parte do grupo de outras 260 pessoas  presas em flagrante ainda na noite de domingo após invasão às sedes dos três poderes e encaminhados para Departamento de Polícia Especializada da Polícia Civil. Eles vão responder por pelo menos 15 crimes, incluindo golpe de Estado e dano a bem público.

STF determina retirada dos acampamentos

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) começaram no início da tarde de ontem a desmontar a estrutura instalada em frente ao 30º Batalhão de Infantaria Mecanizado (BIMec), em Apucarana. A reportagem flagrou o momento em que eles carregavam bancos e cadeiras sob supervisão de um policial militar. 

Entre 10 e 15 bolsonaristas ainda estavam no local quando a reportagem chegou. Dois idosos confirmaram por volta das 14h30 que estavam desmontando o acampamento a pedido da PM. 

 “Mandaram tirar porque é uma via pública”, afirmou a idosa. Durante a entrevista, entretanto, outros manifestantes impediram a continuidade do trabalho de reportagem após hostilizarem a equipe, jogando pedras e proferindo xingamentos. O repórter não foi atingido e deixou o local em segurança. 

No início da noite de ontem, por volta das 19 horas, a reportagem, constatou que o local não havia sido desmontado totalmente. Havia barracas e movimentação de pessoas no local.

A desmontagem do acampamento ocorre após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A decisão foi publicada no início da madrugada desta segunda-feira (9) e determina que a retirada dos acampamentos deve ser realizada em 24 horas pela Polícia Militar. O acampamento em frente ao quartel do 30º  BIMec foi montando logo após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno em 30 de outubro do ano passado e vinha sendo mantido, apesar do número de barracas e manifestantes ter diminuído.