A área plantada de trigo da regional da Seab de Ivaiporã, caiu mais que o esperado inicialmente em 2017. Com o plantio concluído, a área semeada com o cereal fechou em 103 mil hectares, recuo de 15% em relação a 2016, quando a área plantada foi 121 mil ha. No relatório de março, a previsão de queda era de 6,61%.
Nos últimos dois anos, a retração da área plantada chega a 25%. Em 2015 os produtores dos 22 municípios que fazem parte da área de abrangência da regional semearam 137 mil ha.
De acordo com engenheiro agrônomo do Deral, Sergio Carlos Empinotti, a falta de preços e liquidez do trigo fez com que muitos produtores no Vale do Ivaí migrassem para o cultivo do milho. Ontem, o cereal estava sendo cotado a R$ 32 a saca de 60 quilos. No ano passado, nesta mesma época do ano o cereal era cotado a R$ 45,50.
“As dificuldades internas de mercados e um volume grande de trigo no mercado internacional fizeram o produtor repensar o cultivo de inverno neste ano e diminuir a área”, assinala Empinotti.
Outro motivo para a migração para o milho, mesmo a saca não estando com bom preço de mercado, hoje em torno de R$ 20,20, foi a necessidade de melhor adubação da soja.
“Como a cultura principal na região é a soja, o pessoal está investindo no milho para ter maior matéria orgânica. O milho dá muita palhada e ajuda a melhorar na produtividade da soja. Devido aos bons preços de anos anteriores, os produtores deixaram de plantar milho e só plantavam soja e trigo, deixando a palhada em segundo plano. Agora estão percebendo que compensa a necessidade da rotação de cultura com o milho”, relata Empinotti”, explica Empinotti.
Com relação ao desenvolvimento da cultura, Empinotti diz que o trigo está sendo beneficiado com a temperatura mais baixa e boas precipitações.
“Porém, os produtores devem ficar alertas quando o clima esquentar, pois é o período quando começa aparecer doenças, tais como, ferrugem, giberela e helmintosporiose, principalmente no fim de julho”, explica o agrônomo.
A expectativa do Deral para essa safra do trigo na região, caso o clima continue colaborando é de 125 sacas por alqueire.