O prato mais tradicional da mesa do brasileiro ficou mais de 134% mais caro em apenas três meses. O arroz com feijão, antes sinônimo de simplicidade, agora está dando ‘dor de cabeça’ para o consumidor. O feijão, que já havia subido de preço ao longo do primeiro trimestre do ano, não baixou. Pelo contrário: subiu ainda mais em junho. Há algumas semanas, o arroz acompanhou a alta, com pacotes de 5 quilos alcançando os R$ 20 nos mercados de Apucarana e região.
Em março deste ano, a maioria das marcas de arroz tinha preço próximo dos R$ 13. Hoje, essas mesmas marcas estão custando em torno de R$ 17, alta de pouco mais de 30%. Alguns pacotes mais nobres já chegam à casa dos R$ 20.
A alta do feijão já havia sido noticiada desde meados de fevereiro, quando o pacote de 1 quilo do produto chegou a mais de R$ 5, após custar R$ 3,50 em dezembro último. O panorama, que já era complicado para o consumidor, ficou ainda pior. Em junho, os valores dobraram, fazendo com que a alta em 2016 ficasse em aproximadamente 242%, ou quase 3,5 vezes maior do que no ano passado.
Em uma conta simples, cinco quilos de feijão e o mesmo volume de arroz custavam somados, R$ 35 em média. Fazer essa mesma compra, agora custa R$ 82. Logo, o preço de um prato de feijão com arroz aumentou 134,3%, levando-se em conta apenas o preço dos grãos.
“Depois dessas altas, os preços deram uma estabilizada. Mas o aumento dos preços foi bastante acentuado. Esperamos agora que os valores pelo menos se mantenham estáveis nas próximas semanas”, afirma Adriano Zalilio, comprador de uma rede de supermercados de Apucarana.
O arroz, desde o ano passado, estava apresentando preços muito baixos no mercado interno. Isso provocou a migração dos produtores para outras culturas mais rentáveis. Com menos oferta do produto no mercado neste ano, o valor do arroz subiu. Em junho, com a quebra da safra em 16% no Rio Grande do Sul, um dos principais estados produtores do grão, o preço aumentou ainda mais. A chuva forte na época da floração foi a principal causa da quebra.
A culpa para o aumento do feijão também foi colocada no clima. De acordo com o Dieese, as fortes chuvas no Sul e Sudeste do país no final do ano passado, no início de 2016 e também em meados deste ano, prejudicaram as lavouras, gerando quebra na safra.
“A gente tenta trocar por marcas mais baratas e procurar promoções. Não dá para ficar sem arroz e feijão. O jeito é pesquisar e tentar aproveitar as promoções”, diz a dona de casa Márcia Francisca.
O frentista Kelvin de Azevedo concorda. “Esse é o segundo mercado que venho hoje. No outro, larguei um carrinho porque achei que estava muito caro. Aqui, achei algumas promoções que vão me fazer gastar menos”, explica.