Provavelmente em algum momento da sua vida ouvimos que a união faz a força. E é com base nesse ditado popular que nos últimos anos muitos agricultores familiares do Vale do Ivaí têm adotado o associativismo. Atualmente, a região conta com 46 cooperativas ou associações em funcionamento, segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) e há incentivo para que novas sejam criadas.
O engenheiro agrônomo Paulo Henrique Lizarelli, coordenador estadual da Área de Agroecologia do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), diz que o associativismo é fundamental principalmente para o agricultor familiar se inserir em muitos mercados. “O produtor familiar tem várias limitações, como a mão de obra, ou a área produtiva limitada e, mesmo tendo um produto muito bom, por não ter escala, não consegue bons preços no mercado. Então o associativismo, quando bem gerido, partilhado, democrático e transparente, consegue resolver os problemas, que não são poucos”, argumenta Lizarelli.
Segundo Lizarelli, o associativismo no Vale do Ivaí começou a tomar força nos últimos 15 anos. “A maioria dos produtores da nossa região não tinha uma cultura associativista. Foi se perdendo ao longo dos tempos, a cultura dos mutirões, da ajuda mútua. Agora a gente vê pela necessidade, essa renovação do associativismo, de diversas formas e mais profissionalizadas”, comenta.
Como exemplo, de boa gestão Lizarelli pontua a Cooperativa de Leite da Agricultura Familiar de Arapuã (Cooperlaf ), que iniciou as atividades há 10 anos, com a comercialização de aproximadamente 40 mil litros de leite por mês e hoje conta com 140 cooperados que comercializam em média 480 mil litros por mês, ou seja, 3,1 milhões de litros por ano.
José Geraldo Porto, presidente da Cooperlaf, conta que a cooperativa surgiu da necessidade de comercialização dos pequenos produtores. “Todos pequenos produtores tinham as mesmas dificuldades para obter um bom desempenho econômico. Com a produção do leite sendo comercializada em escala maior, conseguimos hoje obter melhor preço de mercado”, argumenta Porto.
Para o cooperado e membro do conselho administrativo, Élio João Esser, outra vantagem foi o aumento da produção e melhor qualidade do leite. A cooperativa, além de oferecer cursos de capacitação, disponibiliza uma médica veterinária. “Antes o leite era tirado de qualquer jeito, mal refrigerado. Através da cooperativa e do Governo do Estado, hoje a maioria já tem resfriador. Também tem o acompanhamento da veterinária, que orienta o pessoal no manejo e boas práticas na ordenha”, assinala.
Gilmar Daufenbach, tesoureiro da Cooperlaf relata que a união dos pequenos produtores tornou possível a aquisição de insumos e equipamentos com menores preços e melhores prazos de pagamento. “Pois visa às necessidades do grupo e não do lucro. Com certeza, nossos produtos veterinários são com certeza os mais baratos que o cooperado pode comprar”, esclarece.
De acordo com o produtor João Maria da Silva, secretário da cooperativa, caso os produtores não tivessem se unidos, possivelmente a atividade teria se extinguido no município. “Com certeza, a maioria do pessoal já teria mudado de atividade. Só pela cooperativa existir no município, hoje, a Prefeitura tem também mais capacidade de receber equipamentos junto ao Governo, só numa pegada veio 50 resfriadores de leite”, assinala.
Programa apoia criação de associações em Ivaiporã
Em Ivaiporã, para fomentar o associativismo, a prefeitura criou a Central das Associações, que é coordenada pela servidora municipal Rosana Pagé. “O objetivo é dar estrutura as associações do município. Porque a gente encontra uma realidade que elas trabalham, mas não tem documentação pronta, os estatutos estão desatualizados, não fazem planejamento e muitas vezes os associados não compreendem muito bem o que é o associativismo”, relata Rosa.
Ela explica que a ideia é fortalecer e criar novas associações para que as organizações realmente possam ter a função para que foram criadas. “As associações têm papel importantíssimo na sociedade. Por estarem mais próximas do seu público, conseguem trazer as demandas que tem dentro da comunidade para a Prefeitura. Se tiverem bem estruturadas, organizadas, trabalhando direitinho acabam ajudando o poder público a melhorar a qualidade de vida das pessoas”, enfatiza Rosana.
Uma das mais novas associações do Vale do Ivaí é a Associação dos Produtores Familiares da Vila Rural de Ivaiporã. A entidade ela foi criada oficialmente em setembro e conta com 84 associados.
Segundo o presidente da associação, José Roberto Goes, os moradores da Vila Rural tem uma agricultura diversificada, principalmente na cultura de café e frutas. Ele relata que a missão da associação é assegurar aos participantes soluções e serviços compromissados com o desenvolvimento econômico e social.
“Ainda estamos nos organizando, acertando a papelada, entendendo melhor o que é associativismo. Mas a ideia melhorar a qualidade e agregar valor aos nossos produtos, dando melhor qualidade de vida para todos os associados”, completa Goes.
Incentivo governamental
O economista do Instituto Emater, de Apucarana, coordenador da macro norte, Ovídio Cesar Barbosa relata que para enfrentar dificuldades da agricultura familiar, o Governo do Estado tem o Programa de Desenvolvimento Econômico e Territorial (Pró-Rural). A iniciativa oferece com financiamento parcial do Banco Mundial, em ação que prioriza várias atividades, incluindo assistência técnica e extensão rural e apoio a iniciativas de negócios sustentáveis.
“O apoio é na estruturação na gestão, que é um trabalho feito pela Emater, e em estruturas de produção com recursos do Pró-Rural. Até agora, foram feitos dois editais de até R$ 420 mil para estruturas. No Vale do Ivaí, temos algumas cooperativas que foram contempladas, aqui em Apucarana, Novo Itacolomi, Jardim Alegre, Arapuã e uma associação em Ivaiporã. Aqui em Apucarana, os recursos serão para aquisição de equipamentos para a colheita mecanizada do café para a Cooperativa dos Cafeicultores do Pirapó”, relata Barbosa.